Tráfego no Estreito de Ormuz despenca para menos de 3% do nível pré-guerra após novas trocas de ataques entre EUA e Irã

Apenas quatro embarcações cruzaram a hidrovia na terça-feira, enquanto dados de satélite desmentem declarações de Washington e confirmam paralisação total das exportações iranianas.

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 01:28
Atualizado em 3 de setembro de 2026 às 01:32
Pedro

O fluxo de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz recuou na última terça-feira para um dos níveis mais baixos em meses, na esteira do aumento dos confrontos militares diretos entre forças dos Estados Unidos e do Irã no entorno do canal estratégico. Informações consolidadas pela empresa de inteligência marítima Windward apontam a passagem de apenas quatro navios ao longo de todo o dia — contra 13 embarcações no dia anterior —, sendo uma entrada em trânsito pela rota norte, sob supervisão iraniana, e três saídas marítimas pelo corredor sul, assistidas pela marinha norte-americana. Esse volume representa uma circulação inferior a 3% do padrão histórico verificado antes do início dos bombardeios conjuntos entre EUA e Israel contra o território iraniano em 28 de fevereiro, ressaltando o virtual travamento da rota.


Apesar da paralisia e dos riscos crescentes à navegação comercial, autoridades do governo norte-americano insistem publicamente que mantêm o controle militar da passagem e que grandes volumes de óleo continuam escoando. O Secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou em entrevista à emissora CNBC que mais de 17 milhões de barris teriam deixado o estreito na última segunda-feira, superando as médias anteriores ao conflito, afirmação que foi reforçada pelo ex-presidente Donald Trump nas redes sociais ao sugerir rebatizar o canal para "Trump Strait" sob a justificativa de domínio militar quase absoluto. Contudo, dados de geolocalização e imagens de satélite fornecidos pelas consultorias Kpler, Vortexa e Windward não corroboram os números oficiais norte-americanos, tampouco a alegação do Comando Central dos EUA (Centcom) de que teria viabilizado a passagem de 39 navios nos últimos dois dias de agosto. Levantamentos da plataforma especializada TankerTrackers.com mostram que a média diária de escoamento de petróleo a partir de 14 de julho situa-se em modestos 4,9 milhões de barris diários — considerando carregamentos em Fujairah e Mina Al Fahal —, com apenas seis dias nos últimos 28 registrando volumes acima de 10 milhões de barris.


No lado iraniano, o bloqueio naval imposto pelas forças armadas norte-americanas desde 14 de julho provocou a paralisação completa das exportações de óleo cru do país persa. Dados de rastreamento da consultoria Kpler confirmam a ausência total de embarques no último mês, e a TankerTrackers.com calcula uma retração de 100% no fluxo exportador iraniano em relação ao período anterior às hostilidades. Segundo a consultoria, o recuo nos carregamentos na Ilha de Kharg ocorre sem grandes pressões logísticas imediatas para Teerã, uma vez que a produção doméstica de petróleo foi previamente reduzida para atender apenas à demanda interna de refino e consumo. Em retaliação às medidas de bloqueio — que até o momento incluíram a interceptação de 84 cargueiros, o abalroamento de três embarcações e duas operações de abordagem por forças dos EUA —, Teerã intensificou os ataques com projéteis e drones a navios comerciais, com a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico adicionando 12 novos cargueiros à sua lista de embarcações proibidas, elevando para 57 o total de navios alvos de retaliação iraniana.

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