Tráfego de navios na rota sul do Estreito de Ormuz é totalmente paralisado após ataques do Irã
Fluxo comercial de embarcações migra para vias alternativas sob alerta de autoridades iranianas; petroleiro grego é apreendido e levado para águas do país.
O trânsito de embarcações através do Estreito de Ormuz pela rota sul, que conta com assistência dos Estados Unidos, foi totalmente interrompido no último dia em decorrência do aumento dos ataques iranianos a navios no início da semana. Dados de rastreamento de travessias indicam que, das dez embarcações que cruzaram o estreito no dia 21 de julho, oito optaram pela rota norte, favorecida pelo Irã, enquanto duas utilizaram a faixa central, por onde passava a maior parte do tráfego antes da guerra. O fluxo comercial nessa região estratégica — um dos principais gargalos logísticos do transporte marítimo global — tem se dividido desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, impulsionado pelo risco de minas no corredor central. Atualmente, a rota norte margeia a costa do Irã, enquanto a via sul acompanha o litoral de Omã.
As travessias diárias pela faixa sul vêm caindo de forma constante, refletindo a escalada de retaliações entre os EUA e o Irã, o que afeta diretamente a dinâmica dos fluxos comerciais na região. Segundo dados do setor, em 20 de julho, apenas dois dos 15 navios que atravessaram o estreito utilizaram as rotas do sul, uma queda abrupta em relação ao pico registrado em 24 de junho. Naquela data, 25 de 41 navios optaram por essa via, logo após a assinatura de um memorando temporário de entendimento. A agência britânica de comércio marítimo (UKTMO) reportou três ataques a petroleiros na rota sul entre 20 e 21 de julho. O Comando Central dos EUA (Centcom) não se pronunciou sobre a continuidade da assistência militar às embarcações que buscam cruzar o corredor sul.
No cenário político, autoridades iranianas reafirmaram o controle sobre o Estreito de Ormuz, em aparente resposta às recentes ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de bombardear infraestruturas iranianas a cada navio atacado. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC-N) declarou em redes sociais que as rotas alternativas são "inseguras e perigosas" e que a região sob seu domínio não retornará às condições anteriores à guerra. A intensificação dessas operações logísticas e militares também resultou na apreensão do petroleiro Kavomaleas, da frota do armador grego Dynacom. Atacada no dia 20 de julho, a embarcação foi escoltada para águas iranianas perto de Larak, marcando o primeiro registro de um navio desviado para o território do país neste atual estágio do conflito, enquanto a tripulação segue em segurança, segundo a UKTMO.
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