Safra de inverno da Austrália deve encolher 21% no ciclo 2026/27 com alta de custos e clima seco
Relatório do governo do país projeta recuo nas colheitas de trigo, cevada e canola; impactos do conflito no Oriente Médio pressionam o setor agrícola
A produção nacional da safra de inverno da Austrália deve recuar 21% no ciclo 2026/27, caindo para 54,5 milhões de toneladas, segundo o relatório de junho divulgado pelo Escritório Australiano de Economia e Ciências Agrícolas e de Recursos. O declínio reflete uma redução de 7% na área total plantada, estimada em 23,6 milhões de hectares, impulsionada pelos altos custos de insumos e pelas condições climáticas secas em várias regiões produtoras. Apesar da queda expressiva na comparação ano a ano, o volume total colhido ainda deve se manter 4% acima da média dos últimos dez anos, configurando a sétima maior safra de inverno já registrada pelo país, que atua como um dos principais fornecedores globais de grãos.
Entre as principais culturas, o trigo será o mais afetado: a área plantada deve cair 12% (para 10,9 milhões de hectares, a menor desde 2019/20) e a produção tem previsão de um tombo de 26%, atingindo 26,7 milhões de toneladas. A cevada, por exigir menos fertilizantes na comparação com o trigo e a canola, terá um aumento de 4% na área cultivada, embora sua produção também deva recuar 15%, para 14,1 milhões de toneladas. Já a canola tem projeção de queda de 6% na área e de 20% no volume colhido, estimado em 6,2 milhões de toneladas. O órgão do governo australiano ainda alerta que o risco de baixa permanece, uma vez que o prolongamento do conflito no Oriente Médio continua encarecendo as importações de combustíveis e fertilizantes, tornando a dependência de chuvas oportunas ainda mais crucial para garantir os rendimentos da temporada.
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