Paquistão anuncia acordo sobre texto final para paz entre EUA e Irã
Negociações preveem desmantelamento nuclear e reabertura do Estreito de Ormuz em troca de alívio de sanções, enquanto líderes revisam os termos definitivos
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou que um "texto final e acordado do acordo de paz" foi alcançado entre os Estados Unidos e o Irã. Em publicação na rede social X, Sharif destacou que o Paquistão está trabalhando em estreita colaboração com ambas as nações para alinhar os próximos passos, ressaltando que a paz "nunca esteve tão próxima como agora". A declaração do premiê paquistanês ocorreu logo após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, emitir uma das mensagens mais claras até o momento de que o acordo estaria iminente, pedindo que a mídia evitasse especulações sobre o conteúdo do documento. O presidente dos EUA, Donald Trump, endossou a perspectiva ao republicar a declaração de Araghchi em sua conta na plataforma Truth Social.
Do lado norte-americano, o tom é de um otimismo focado em resultados táticos. Um alto funcionário dos EUA esclareceu que as partes estão "muito perto", embora a negociação ainda não tenha cruzado a linha de chegada. O memorando de entendimento em discussão prevê um "alívio significativo" das sanções e o descongelamento de ativos iranianos. Em contrapartida, o Irã precisará concordar em desmantelar o seu programa nuclear e entregar o seu material radioativo. Contudo, o governo dos EUA — com o reforço público do vice-presidente JD Vance — foi categórico ao afirmar que o Irã não receberá nenhuma compensação imediata apenas pela assinatura do documento. A liberação de fundos e a suspensão das sanções estarão estritamente condicionadas ao cumprimento comprovado das exigências por parte de Teerã. Segundo a Casa Branca, as obrigações inegociáveis incluem a eliminação do urânio enriquecido, a reabertura do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e a interrupção de qualquer apoio a grupos e forças aliadas na região.
No Irã, o processo de aprovação interna segue um rito governamental complexo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, informou que as instituições relevantes estão na fase final de avaliação e consolidação do entendimento, mas evitou estipular prazos ou um local para a possível assinatura. Para que o rascunho ganhe validade nacional, o memorando de entendimento precisa circular e ser validado por uma longa cadeia de comando, passando pelo quartel-general do exército, pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), pelo escrutínio dos políticos no parlamento e, em última instância, pela aprovação do líder supremo do país.
A reta final diplomática também precisou contornar obstáculos na guerra de narrativas. O presidente Trump contestou duramente um relatório divulgado pela agência estatal iraniana IRNA, que alegava não haver novas concessões sobre o programa nuclear e o controle do Estreito de Ormuz, e que previa o descongelamento imediato dos ativos. Uma autoridade dos EUA rebateu a publicação, reafirmando que a estrutura do acordo exige o fim do programa nuclear e a liberação imediata do estreito. Trump, que revelou à Axios que ainda acredita na assinatura do pacto neste fim de semana, afirmou que o governo do Irã se desculpou de forma privada pela divulgação das informações falsas. Essa intensa movimentação de bastidores ocorre logo após dois dias de violentas trocas de ataques entre os países no início da semana. Na quinta-feira, Trump chegou a ameaçar a tomada da Ilha de Kharg, o principal polo de exportações de petróleo do Irã, mas horas depois cancelou a ordem de uma terceira onda de ataques aéreos norte-americanos, justamente na expectativa de não inviabilizar a consolidação do iminente acordo de paz.
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