Oferta Global de Arroz Ameaçada por Custos Elevados e El Niño

Conflito no Oriente Médio encarece insumos, levando agricultores asiáticos a reduzirem o plantio antes da chegada de seca esperada no segundo semestre

Publicado em 30 de abril de 2026 às 22:26
Pedro

A oferta mundial de arroz deve sofrer uma contração neste ano devido à redução da área plantada em diversos países asiáticos. Agricultores estão diminuindo o cultivo e o uso de insumos em resposta aos altos custos de fertilizantes e combustíveis, agravados pela guerra com o Irã, que interrompeu fluxos importantes pelo Estreito de Ormuz. Além disso, a previsão de ocorrência do fenômeno El Niño ameaça a produção com a perspectiva de clima mais seco e quente na região durante o segundo semestre de 2026.


O aumento nos custos de produção é um reflexo direto do bloqueio em Ormuz. Na Tailândia, a agricultora Sripai Kaew-Eam relatou que seus custos saltaram de 4.500-5.000 baht para cerca de 6.000 baht por rai (0,4 acre), forçando-a a reduzir pela metade o uso de fertilizantes, cujos preços dispararam de 850 baht para a faixa de 1.000 a 1.200 baht por saco. Nas Filipinas, o maior importador global do grão, a Fundação para o Desenvolvimento Rural Integrado alerta que o corte no uso de insumos pode reduzir a colheita nacional em até 6 milhões de toneladas. A Indonésia também projeta impactos, com seu instituto de estatística estimando uma queda de 11,12% na produção de arroz em casca entre março e maio devido aos efeitos climáticos do El Niño.


Apesar do cenário de aperto na oferta e dos gargalos logísticos relatados por comerciantes em Singapura, o mundo ainda conta com amplos estoques após anos de safras recordes. A Índia, principal exportadora do grão, possui um volume recorde de 42 milhões de toneladas (cerca de um quinto das reservas globais), o que funciona como um amortecedor contra quebras de safra. No entanto, Maximo Torero, economista-chefe da FAO, alerta que os preços devem subir mesmo com uma rápida resolução da crise em Ormuz, ressaltando que, se o estreito não for reaberto nas próximas semanas, a situação do abastecimento "ficará muito séria".


⚠️ Essa análise é só um recorte.

No canal da AMR, compartilhamos sinais de mercado e leituras em tempo real que não vão para as redes.

👉 Telegram: https://t.me/+hJWpaPTXJchmNjYx

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.