Kuwait negocia parcerias logísticas com Arábia Saudita e EAU para contornar o Estreito de Ormuz

Estatal petrolífera busca rotas alternativas para driblar bloqueio marítimo, mas alerta que infraestrutura de oleodutos segue vulnerável a ataques operacionais

Publicado em 10 de junho de 2026 às 22:16
Pedro

A estatal petrolífera do Kuwait (KPC) está explorando ativamente potenciais parcerias com países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), especificamente a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, para garantir o escoamento de seu petróleo bruto e derivados. A medida estratégica visa contornar o fechamento do Estreito de Ormuz, que já dura mais de três meses em decorrência da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, deflagrada em 28 de fevereiro. Ao contrário dos sauditas e emiratenses — que possuem oleodutos capazes de desviar parte de sua produção para portos fora da zona de conflito —, o Kuwait é um país totalmente dependente do trânsito físico pelo estreito para realizar as suas exportações.


O diretor executivo da KPC, Sheikh Nawaf al-Sabah, revelou durante o Fórum Global de Energia do Atlantic Council que o país está em discussões avançadas para avaliar como expandir o sistema de dutos dos vizinhos para acomodar os barris kuwaitianos. A Arábia Saudita opera o oleoduto Leste-Oeste, com capacidade para 7 milhões de barris por dia, ligando a Província Oriental ao terminal de Yanbu no Mar Vermelho. Já os EAU contam com o oleoduto Adcop, que transporta 1,7 milhão de barris diários de Abu Dhabi para Fujairah. No entanto, Sheikh Nawaf fez um alerta logístico importante: rotas alternativas não isolam totalmente os países dos riscos. Ele destacou que um oleoduto é tão seguro quanto a instalação de exportação na sua extremidade, lembrando que os ataques iranianos atingiram o porto de Fujairah cinco vezes, alvejaram Yanbu e danificaram o sistema Leste-Oeste saudita, o que reduziu temporariamente a capacidade de bombeamento em cerca de 700 mil barris por dia.


A interrupção drástica dos fluxos navais forçou o Kuwait a reduzir a sua produção de petróleo de forma metódica para atender exclusivamente ao consumo interno, operando a cerca de 25% dos níveis anteriores à guerra. Estimativas apontam que a produção do país despencou da marca de 2,59 milhões de barris por dia, em fevereiro, para cerca de 580 mil barris por dia em maio. Apesar da falta de clareza nas negociações diplomáticas sobre quando o tráfego marítimo será normalizado, o executivo da KPC garantiu que a infraestrutura e os reservatórios do país são altamente resilientes. Assim que o Estreito de Ormuz for reaberto, o Kuwait terá a capacidade operacional para recuperar 80% de sua produção paralisada em um prazo de três semanas a um mês, o que significaria o rápido retorno de aproximadamente 1,6 milhão de barris diários ao mercado global de energia.

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