Irã formaliza bloqueio seletivo no Estreito de Ormuz e estuda cobrança de "taxas de guerra" para trânsito seguro

Teerã afirma que via marítima está aberta apenas para "países amigáveis" como China e Rússia; Parlamento propõe taxa de US$ 2 milhões por navio

Publicado em 26 de março de 2026 às 16:34
Pedro

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reafirmou que o Estreito de Ormuz permanece fechado para o que classificou como "inimigos e seus aliados". Em entrevista transmitida na noite de quarta-feira (25), o chanceler justificou a medida como uma resposta natural ao estado de guerra, declarando que não há razões para permitir a passagem de embarcações ligadas aos Estados Unidos e Israel. Segundo Araqchi, o bloqueio demonstra que o país não estava blefando ao ameaçar a interrupção dos fluxos globais de energia e fertilizantes após os ataques sofridos em 28 de fevereiro.


Embora o governo iraniano alegue que a passagem continua livre para nações parceiras — citando nominalmente China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão —, o tráfego real na região é mínimo. Dados de monitoramento registraram apenas dois navios cruzando o estreito diariamente entre 24 e 25 de março. O chanceler admitiu que a paralisia também é causada pela insegurança e pela recusa das seguradoras em fornecer cobertura para a zona de conflito. Araqchi revelou ainda que governos estrangeiros têm contatado Teerã em busca de escolta militar das forças armadas iranianas para garantir a travessia.


Paralelamente à restrição física, o Parlamento iraniano prepara uma legislação para formalizar a cobrança de taxas de trânsito. Mohammad Reza Rezai Kouchi, presidente da comissão de assuntos civis, defendeu que, por garantir a segurança do corredor, é "natural" que navios e petroleiros paguem pelo uso da via. A proposta segue a linha de declarações anteriores de parlamentares que sugeriram uma taxa de US$ 2 milhões por navio para cobrir os custos da guerra. Embora a embaixada iraniana na Índia tenha tentado classificar essas cifras como opiniões pessoais, a movimentação legislativa indica que o Irã pretende institucionalizar o pedágio sobre o comércio marítimo global enquanto o conflito persistir.

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