Inflação nos Estados Unidos acelera para 4,2% em maio impulsionada por custos de energia
Avanço do indicador para o maior patamar em três anos reflete os impactos da guerra no Golfo e consolida perspectiva de juros elevados por período prolongado
A inflação anual nos Estados Unidos acelerou para 4,2% em maio, atingindo o maior patamar em três anos, impulsionada principalmente pela escalada nos preços de energia decorrente da guerra no Golfo, no Oriente Médio. O avanço do índice de preços ao consumidor, que havia registrado alta de 3,8% em abril, veio em linha com as projeções gerais e acendeu o alerta sobre a persistência das pressões sobre a economia. No acumulado mensal, o indicador registrou uma alta de 0,5%, mostrando uma leve desaceleração em relação ao avanço de 0,6% do mês anterior. Já o núcleo da inflação, que desconsidera as variações voláteis de alimentos e energia, apresentou avanço ao passar de 2,8% para 2,9%. O grande motor do indicador foi o setor energético, cujo índice saltou 23,5% no confronto anual, puxado pelo aumento expressivo de 40,5% na gasolina, de 58,9% no óleo combustível e pelo salto de 26,7% nas passagens aéreas.
Em contrapartida, outras categorias mostraram um comportamento mais brando, como os alimentos, que registraram alta de 3,1% em maio, e os veículos usados, cujos custos caíram 2%, enquanto os gastos com habitação subiram 3,4%. Diante desse cenário de forte pressão, os mercados de futuros indicam uma probabilidade de 98,2% de que o Federal Reserve mantenha a taxa de juros inalterada na próxima semana, mas já precificam uma chance de quase 69% de pelo menos um aumento nos juros até o final do ano. Embora projeções de mercado apontem que maio possa representar o pico do indicador devido a alívios recentes e pontuais nos combustíveis, a expectativa é de que o recuo da inflação ocorra de forma lenta, o que deve forçar o banco central americano a manter os juros elevados por um período prolongado durante a maior parte do ano.
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