Índia retoma exportação de trigo após quatro anos, mas preços altos limitam demanda

Governo liberou cota de 5 milhões de toneladas; compradores buscam o país apenas para entregas urgentes em meio a fretes mais caros pelo conflito no Irã

Publicado em 4 de maio de 2026 às 21:58
Pedro

Traders indianos voltaram a exportar trigo pela primeira vez em quatro anos. A retomada ocorre após o governo em Nova Délhi autorizar a venda de um total de 5 milhões de toneladas do grão ao mercado externo neste ano (sendo 2,5 milhões liberadas no início do ano e mais 2,5 milhões no final do mês passado), revertendo uma proibição que estava em vigor desde 2022.


A restrição inicial havia sido imposta e prorrogada em 2023 e 2024 devido a ondas de calor extremo que prejudicaram as safras e reduziram os estoques do país, gerando especulações de que a Índia — segunda maior produtora mundial de trigo, atrás apenas da China — precisaria importar o cereal. No entanto, o clima favorável do ano passado resultou em uma colheita robusta, permitindo a recomposição das reservas do governo e dando segurança para a liberação das exportações.


Apesar da autorização, o país não deve registrar um salto expressivo nos embarques. Danos recentes nas lavouras encareceram o produto no mercado doméstico, tornando o trigo indiano menos competitivo nos mercados globais em comparação aos suprimentos de origens tradicionais, como a Austrália e a região do Mar Negro.


Ainda assim, uma janela de oportunidade foi aberta pelo conflito no Irã, que elevou os custos globais de frete marítimo. Segundo fontes do setor, importadores da Ásia e do Oriente Médio que enfrentam lacunas imediatas de abastecimento e necessitam de remessas urgentes (com prazo de 30 a 45 dias) estão recorrendo aos fornecedores indianos.


Como exemplo dessa movimentação, o conglomerado ITC iniciou o carregamento de 22 mil toneladas de trigo no porto de Kandla, no oeste do país, com destino aos Emirados Árabes Unidos. Compradores que possuem estoques adequados, no entanto, continuam priorizando as origens tradicionais do cereal por as considerarem financeiramente mais atraentes.


⚠️ Essa análise é só um recorte.

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