Índia prevê salto de 20% nos gastos com subsídios para fertilizantes em meio à crise no Oriente Médio
Compras recordes de ureia e escalada de preços globais pressionam as contas do governo indiano, que estima custos na casa dos bilhões de dólares
O governo da Índia projeta um aumento de aproximadamente 20% em sua conta anual de subsídios para fertilizantes no atual ano fiscal. A escalada nos custos é diretamente impulsionada pela forte alta dos preços internacionais, agravada pela crise no Oriente Médio. A informação foi confirmada nesta segunda-feira por Aparna Sharma, representante do ministério de fertilizantes do país.
Maior importadora global de ureia, a Índia já realizou encomendas para a compra de um volume recorde de 2,5 milhões de toneladas métricas do fertilizante. O montante, que representa cerca de um quarto (25%) de todas as importações anuais do país, foi adquirido por quase o dobro do preço praticado há apenas dois meses. A disparada nos valores reflete as interrupções no fornecimento global causadas pelo recente conflito envolvendo o Irã.
O mercado avalia que essas compras massivas devem restringir ainda mais a oferta global, empurrando os preços para patamares mais altos e elevando os custos futuros de importação para Nova Délhi. Esse cenário encarece pesadamente o programa de subsídios do governo, que repassa recursos às empresas do setor para garantir que os nutrientes agrícolas cheguem aos produtores rurais por valores abaixo dos praticados no mercado. Para se ter uma dimensão do impacto fiscal, no ano financeiro encerrado no último mês de março, o subsídio indiano para fertilizantes foi estimado em cerca de 1,87 trilhão de rúpias (aproximadamente US$ 19,85 bilhões).
A Índia depende do mercado externo para se abastecer de produtos como ureia, fosfato diamônico (DAP) e cloreto de potássio, além de gás natural liquefeito (GNL), principal matéria-prima para a produção nacional de ureia. O Oriente Médio é estratégico nessa balança comercial, respondendo por cerca de metade das importações indianas de DAP e ureia. A Arábia Saudita lidera como a maior fornecedora de DAP, enquanto Omã é o principal vendedor de ureia para o país asiático.
Embora o governo indiano afirme manter estoques de fertilizantes mais altos no momento, a demanda interna tem um pico sazonal forte que se aproxima. O consumo tende a disparar historicamente nos meses de junho e julho, período em que os agricultores locais iniciam o plantio de culturas fundamentais para a economia, como arroz, milho, algodão e oleaginosas.
⚠️ Essa análise é só um recorte.
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