Houthis anunciam bloqueio naval contra a Arábia Saudita e ameaçam fornecimento global de petróleo
Decisão eleva tensão na região, rompe trégua de quatro anos e pode reduzir a oferta mundial de óleo em até 7%
Os Houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, anunciaram nesta segunda-feira a imposição de um bloqueio naval contra a Arábia Saudita. Em comunicado, as forças armadas do grupo declararam um "embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita", justificando a medida imediata sob a lógica de "olho por olho". A decisão, segundo os Houthis, é uma retaliação a um "cerco injusto e opressivo" imposto pelos sauditas ao Iêmen. Até o momento, o governo da Arábia Saudita não emitiu uma resposta oficial sobre o anúncio.
A medida ameaça agravar o cenário geopolítico e causar graves interrupções no fornecimento global de energia. O fechamento total do estreito de Bab el-Mandeb, a principal porta de entrada ao sul do Mar Vermelho, paralisaria as exportações de petróleo saudita para a Ásia, podendo reduzir a oferta global em 7%. Esse impacto se somaria ao já expressivo corte de 10% nos fluxos globais de petróleo, provocado pela guerra envolvendo o Irã.
A escalada bélica ocorre após os Houthis dispararem mísseis contra a Arábia Saudita na semana passada, acusando o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle e rompendo, assim, uma trégua que já durava quatro anos. De acordo com Mohammed Albasha, analista iemenita e fundador da consultoria de risco Basha Report, a grande questão agora é se o grupo passará a atacar ativamente os navios que se dirigem aos portos sauditas. Ele ressalta que, mesmo sem ataques físicos concretos, o simples anúncio do bloqueio já é suficiente para perturbar a navegação comercial e criar um ambiente de forte incerteza para a logística e os portos da Arábia Saudita.
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