Gargalos logísticos e baixas do rio limitam o Rio Danúbio como alternativa aos portos da Ucrânia

Restrições de calado, custos US$ 20 a 30 por tonelada mais altos e riscos de segurança impedem que a rota hidroviária substitua os terminais de águas profundas de Odesa.

Publicado em 24 de julho de 2026 às 17:17
Pedro

Diante da crescente relutância dos armadores em atracar nos portos da Grande Odesa devido aos constantes ataques, exportadores de grãos buscam redirecionar o fluxo de cargas para a hidrovia do Rio Danúbio. No entanto, entraves operacionais e climáticos impedem que a rota substitua a capacidade dos terminais ucranianos de águas profundas. Segundo Mykola Horbachov, presidente da Associação Ucraniana de Grãos, embora a infraestrutura do Danúbio tenha capacidade nominal para movimentar até 2,5 milhões de toneladas mensais entre grãos e óleos vegetais, alcançar esse volume no cenário atual é inviável. A região enfrenta o menor nível de água dos últimos 30 anos — forçando as barcaças a navegarem com apenas um terço de sua capacidade de carga —, somado à escassez de barcaças, gargalos na malha ferroviária e contínua exposição a riscos de segurança.


Além das limitações físicas, os custos e exigências regulatórias pesam contra a alternativa hidroviária. Dmytro Kazanin, proprietário da empresa de logística TEUS, destaca que a rota atende predominantemente embarcações de menor porte, com calado de até 7 metros, sendo que trechos críticos como o Canal Bystre oferecem apenas 5,5 metros de profundidade navegável. Essa limitação, aliada aos prêmios de risco exigidos pelos armadores, torna o transporte pelo Danúbio entre US$ 20 e US$ 30 por tonelada mais caro do que o escoamento via Grande Odesa. A logística é dificultada ainda mais pelas inspeções obrigatórias e novas exigências declaratórias no porto romeno de Tulcea, desestimulando a migração em massa dos fluxos de exportação da safra ucraniana.

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