Fertiglobe descarta danos a fábrica nos Emirados Árabes Unidos e redireciona exportações de ureia por via terrestre

Maior exportadora de fertilizantes busca rotas terrestres alternativas em meio a bloqueio no Estreito de Ormuz, que fez preços dos nitrogenados dobrarem

Publicado em 6 de maio de 2026 às 00:14
Pedro

A Fertiglobe, gigante global de exportação de fertilizantes, informou que suas instalações de produção nos Emirados Árabes Unidos não sofreram danos em meio ao recente conflito no Oriente Médio. No entanto, com a navegação pelo Estreito de Ormuz severamente afetada, a companhia com sede em Abu Dhabi está redirecionando suas exportações de ureia para rotas terrestres alternativas. A medida é uma resposta tática para tentar contornar a obstrução de uma das principais vias do comércio global, embora a empresa reconheça que o volume transportado por terra será consideravelmente menor que os embarques marítimos tradicionais.


O impacto do bloqueio no Golfo Pérsico já está sendo sentido fortemente no mercado global de insumos agrícolas. Segundo o CEO da Fertiglobe, Ahmed El-Hoshy, os preços dos fertilizantes nitrogenados quase dobraram em relação aos níveis anteriores ao início da guerra. O executivo alertou que as cotações podem subir ainda mais caso a tensão permaneça, o que representaria um desafio significativo para a rentabilidade dos agricultores e poderia impulsionar a inflação global de alimentos. Dados da própria Fertiglobe apontam que as exportações mensais de ureia da região do Golfo despencaram em março, caindo do volume habitual de 1,7 milhão de toneladas para apenas 300 mil toneladas.


A restrição na oferta atinge de forma mais aguda os produtos à base de nitrogênio — como a ureia e a amônia —, que exigem aplicação anual para sustentar a produtividade das lavouras, diferentemente dos fosfatados e potássicos, que permanecem no solo por mais tempo. Apesar da crise logística que mantém dezenas de navios retidos e compromete rotas marítimas, a Fertiglobe destaca que sua posição geográfica favorece a logística alternativa, estando próxima à costa leste de Omã e ao porto de Fujairah, o que ajuda a mitigar parcialmente os impactos e a manter o fornecimento aos seus mercados consumidores.

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