Etanol de milho do Brasil supera etapa regulatória da IMO para uso marítimo

Combustível de segunda safra é o primeiro do tipo a ter pegada de carbono aprovada pela agência, abrindo caminho para adoção no transporte naval

Publicado em 6 de maio de 2026 às 00:14
Pedro

O Brasil anunciou que seu etanol de milho superou uma etapa regulatória significativa da Organização Marítima Internacional (IMO), garantindo ao país uma vantagem na corrida pelo fornecimento de biocombustíveis para o transporte em alto mar. O chamado etanol de milho de segunda safra é o primeiro biocombustível compatível com o setor naval a ter sua pegada de carbono definida e aprovada pela agência reguladora global, de acordo com Flávio Mathuiy, capitão da Marinha e representante brasileiro na organização. A IMO, sediada em Londres, não emitiu comentários imediatos devido a um feriado no Reino Unido.


A aprovação remove um obstáculo fundamental para o biocombustível brasileiro antes da implementação de um marco global da IMO focado em reduzir as emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo, oferecendo um impulso potencial aos produtores de milho e às tradings de etanol do país. O plano de emissões líquidas zero da agência foi aprovado em abril de 2025, mas sua adoção formal foi adiada para dezembro de 2026 após pressão dos EUA. As regras devem preparar o terreno para o fim da hegemonia do petróleo como combustível naval.


Atualmente, a navegação comercial responde por 2% a 3% das emissões globais; se fosse um país, o setor seria o sexto maior poluidor do mundo, posicionado entre o Japão e a Alemanha, segundo dados do Banco Mundial.

O Comitê de Proteção ao Meio Ambiente Marinho da IMO aprovou um "valor padrão" de 20,8 gramas de CO2 equivalente por megajoule para o etanol de milho de segunda safra do Brasil, informou Mathuiy. Para efeito de comparação, o valor de referência do combustível de bunker convencional (derivado de petróleo) é de 93,3 gramas de CO2 equivalente. "É um desenvolvimento emblemático", afirmou o capitão, ressaltando que a aprovação do valor de referência sinaliza às empresas de navegação quais alternativas elas podem escolher dentro do esforço de descarbonização, que incluirá penalidades e recompensas no futuro.


A indústria nacional defende que o etanol de milho brasileiro é intrinsecamente menos intensivo em carbono do que o similar americano, devido ao sistema de segunda safra — plantado na mesma área logo após a colheita da soja — e ao uso de biomassa na fabricação. A produção brasileira desse tipo de etanol, iniciada em 2017, cresceu rapidamente e o grão já representa quase um quarto da base de matéria-prima do biocombustível no país. Além do milho, o Brasil busca agora a aprovação técnica da IMO para o etanol de cana-de-açúcar e para o biodiesel feito a partir de óleo de soja e sebo bovino. Em paralelo, o mercado privado já se movimenta: a Vale encomendou no mês passado seus dois primeiros navios da classe Guaibamax projetados para operar com etanol.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.