Fertiglobe adota transporte terrestre para exportar fertilizantes e contornar bloqueio no Golfo

Alta nos preços globais compensa custos logísticos adicionais; estatal reporta lucro líquido de US$ 145 milhões no primeiro trimestre

Publicado em 6 de maio de 2026 às 00:14
Pedro

A Fertiglobe, uma das principais empresas globais de fertilizantes, está utilizando caminhões para escoar suas cargas do Golfo Pérsico, contornando o bloqueio virtual do Estreito de Ormuz. A rota marítima permanece com tráfego severamente restrito dois meses após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo Ahmed El-Hoshy, CEO da companhia com sede em Abu Dhabi, as fábricas nos Emirados Árabes Unidos continuam operando com capacidade máxima, e o produto está sendo transportado por via terrestre até portos localizados fora do estreito antes de ser embarcado em navios mercantes.


O executivo explicou que a alternativa logística envolve manuseio duplo da carga e custos de transporte significativamente mais elevados, mas a operação permanece viável devido à disparada nas cotações globais. Os preços da ureia quase dobraram desde o início do conflito, impulsionados pela restrição na oferta — o Estreito de Ormuz movimentava até um terço das exportações globais de fertilizantes nitrogenados antes da guerra. Para gerenciar o volume de produção, a Fertiglobe, que é controlada pela estatal de energia Adnoc, está recorrendo a armazenamentos locais, instalações em portos externos e armazenamento flutuante, com embarcações já carregadas aguardando a liberação das rotas marítimas.


A estrutura geográfica da empresa também tem ajudado a mitigar os impactos da crise, visto que apenas 30% a 35% de sua produção está concentrada nos Emirados Árabes Unidos, com o restante de suas operações localizadas no Norte da África, em países como Egito e Argélia. Financeiramente, a Fertiglobe reportou resultados robustos no primeiro trimestre de 2026: o lucro líquido ajustado saltou 98%, atingindo US$ 145 milhões, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 31%, para US$ 342 milhões. Apesar do saldo positivo para a balanço da empresa, El-Hoshy demonstrou cautela quanto ao longo prazo, alertando que a continuidade da interrupção nas rotas e a manutenção dos preços elevados representam uma forte pressão sobre os custos dos agricultores, o que pode resultar em inflação nos preços dos alimentos globalmente.

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