FAO alerta que fechamento do Estreito de Ormuz pode desencadear crise alimentar global em até um ano
Segundo a ONU, o impacto avança em etapas desde os custos de energia e fertilizantes até a inflação de alimentos, exigindo ações preventivas imediatas
O fechamento do Estreito de Ormuz não representa apenas uma interrupção temporária no transporte marítimo, mas o início de um choque sistêmico no sistema agroalimentar mundial, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU) por meio da FAO. Segundo a organização, a janela para ações preventivas está se fechando rapidamente, e as decisões tomadas por governos e agricultores nos próximos meses determinarão a severidade de uma potencial crise de preços de alimentos que pode atingir seu ápice em um período de seis a 12 meses. O índice de preços de alimentos da FAO já registra altas consecutivas há três meses, impulsionado pelo encarecimento da energia e pelas disrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio.
Para mitigar os impactos desse choque, a ONU recomenda uma série de intervenções de curto, médio e longo prazo, destacando a necessidade urgente de assegurar corredores logísticos alternativos e evitar a adoção de restrições às exportações de energia e fertilizantes. Entre as propostas, a FAO enfatiza o apoio direcionado às populações mais vulneráveis via registros digitais, a expansão do crédito agrícola subsidiado com períodos de carência e o uso de tecnologias de precisão para otimizar o uso de nutrientes e reduzir a dependência de insumos químicos. A entidade adverte ainda que o cenário pode ser agravado pela ocorrência de um forte evento de El Niño, tornando a resiliência dos sistemas de transporte e o monitoramento precoce pilares fundamentais para evitar uma deterioração sistêmica da segurança alimentar global.
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