EBITDA da divisão agrícola da Bayer recua 41,3% no 3T26, mas acumula alta de 17,4% no ano
Vendas da Crop Science somaram € 3,88 bilhões com suporte da demanda na América Latina; multinacional eleva projeção de EBITDA consolidado para até € 10,3 bilhões em 2026 apesar de prejuízo líquido no trimestre; Avanço de 11,3% nas vendas para a América Latina.
Conforme acompanhamento setorial da AMR Business Intelligence, a divisão Crop Science da Bayer registrou queda de 41,3% no EBITDA antes de itens especiais no terceiro trimestre de 2026, totalizando 101 milhões de euros (frente a 172 milhões de euros em igual período de 2025). As vendas da divisão agrícola alcançaram 3,884 bilhões de euros, apresentando avanço nominal de 0,7%, mas recuo de 2,4% após ajustes cambiais e de portfólio. A rentabilidade operacional foi pressionada pelo aumento dos custos das mercadorias vendidas e despesas comerciais, reduzindo a margem EBITDA de 4,5% para 2,6% — patamar que reflete a sazonalidade típica do terceiro trimestre, historicamente o de menor contribuição anual. Geograficamente, a América Latina liderou o faturamento ao avançar 11,3% em bases nominais (+5,6% ajustado), somando 2,133 bilhões de euros com o impulso da semeadura de verão de soja e milho, compensando retrações expressivas de 21,8% na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África, com 593 milhões de euros) e de 13,8% na Ásia-Pacífico (345 milhões de euros), ambas afetadas por clima adverso e entraves regulatórios. Na América do Norte, a receita cresceu 3,7% (+2,5% ajustado), para 813 milhões de euros.
No desempenho por segmentos de produtos, a divisão de sementes e biotecnologia manteve ritmo de expansão, enquanto os defensivos agrícolas registraram retração. A comercialização de sementes e eventos biotecnológicos de soja avançou 10,6% nominal (+4,5% ajustado) no trimestre, faturando 576 milhões de euros, e acumulou salto de 39,2% no ano (1,999 bilhão de euros). O portfólio de sementes de milho gerou receita trimestral de 792 milhões de euros (+4,2% nominal e -0,1% ajustado), somando 5,353 bilhões de euros de janeiro a setembro (+3,5% ajustado), com a demanda latino-americana absorvendo o impacto de áreas menores em outras regiões. Em contraste, o segmento de defensivos sentiu a concorrência de produtos genéricos e barreiras regulatórias: as vendas de fungicidas cederam 5,1% (-8,6% ajustado), para 618 milhões de euros; herbicidas (excluindo glifosato) caíram 5,2% (-8,6% ajustado), para 434 milhões de euros; e a unidade estratégica de glifosato recuou 2,8% (-5,3% ajustado), para 701 milhões de euros, enquanto os inseticidas somaram 322 milhões de euros (-2,7% nominal e +0,2% ajustado).
A despeito da desaceleração trimestral pontual, o acumulado dos primeiros nove meses de 2026 da Crop Science consolidou números sólidos: faturamento de 16,352 bilhões de euros (+3,6% ajustado) e expansão de 17,4% no EBITDA antes de itens especiais, que somou 4,017 bilhões de euros, com margem de 24,6%. No resultado global do Grupo Bayer, as vendas consolidadas do terceiro trimestre somaram 10,053 bilhões de euros (+4,1%) e o EBITDA antes de itens especiais cresceu 6,9%, para 1,615 bilhão de euros, impulsionado pela divisão farmacêutica (+23,6% no EBITDA, para 1,292 bilhão de euros).
Diante do quadro operacional acumulado, a multinacional elevou sua meta de EBITDA anual ajustado para a faixa de 9,8 bilhões a 10,3 bilhões de euros (ante estimativa anterior de 9,6 bilhões a 10,1 bilhões de euros) e reduziu a projeção de endividamento líquido final para entre 28 bilhões e 29 bilhões de euros.
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