Filipinas enfrentam quebra na produção de arroz sob impacto de seca severa do El Niño e disparada dos fertilizantes

Prejuízos agrícolas somam US$ 118 milhões e 109 localidades decretam estado de calamidade; estoques públicos cobrem apenas 51 dias de consumo e importações já se aproximam de 4 milhões de toneladas.

Publicado em 2 de novembro de 2026 às 18:09
Atualizado em 2 de novembro de 2026 às 18:43
Pedro

Conforme acompanhamento global realizado pela AMR Business Intelligence, as Filipinas enfrentam um risco crescente de forte retração na colheita de arroz diante da combinação de estiagem severa provocada pelo fenômeno El Niño e da escalada nos preços dos adubos minerais. Até meados de outubro de 2026, 109 localidades em todo o território filipino haviam decretado estado de calamidade pública, com perdas econômicas no setor agrícola avaliadas em 6,8 bilhões de pesos (aproximadamente US$ 118 milhões ou R$ 629 milhões). O déficit hídrico acentuado e a redução dos volumes disponíveis para irrigação comprometem o desenvolvimento das lavouras de arroz e de hortaliças, levando o Departamento de Agricultura das Filipinas a projetar uma perda de 700 mil toneladas na safra de arroz — recuo equivalente a 3,5% da meta oficial de produção anual —, enquanto a agência meteorológica local estima em 92% a probabilidade de as condições de El Niño de intensidade moderada a forte perdurarem até o final do ano.


O cenário produtivo é agravado pela alta nas cotações dos fertilizantes decorrente dos gargalos de fornecimento no Golfo Pérsico. O país asiático depende do mercado externo para suprir cerca de 90% de sua demanda por nutrientes minerais, contexto em que os preços internacionais da ureia quase dobraram entre fevereiro e abril de 2026. Como o cultivo de arroz absorve aproximadamente 38% de todo o consumo nacional de fertilizantes, os custos operacionais elevados tendem a forçar a redução nas dosagens aplicadas no solo, gerando reflexos negativos adicionais previstos para se consolidar ao longo da safra de 2027. Diante da retração na oferta interna, os estoques estratégicos de arroz mantidos pelo governo recuaram para uma cobertura de 51 dias de consumo, abaixo da faixa ideal de segurança estipulada entre 70 e 90 dias, impulsionando as importações do cereal para perto de 4 milhões de toneladas até agosto de 2026 (frente a cerca de 3,5 milhões de toneladas no ano anterior), das quais entre 70% e 80% procedem do Vietnã.

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