Divisão agrícola da BASF registra queda de 19,7% nas vendas e reverte lucro no 3º trimestre de 2026
Retração de 17,3% nos volumes comercializados e recuo de 4,8% nos preços pressionam a receita de Soluções Agrícolas para 1,404 bilhão de euros; desempenho negativo no campo contrasta com alta de 14,2% no faturamento global do grupo.
A divisão de Soluções Agrícolas (Agricultural Solutions) da BASF registrou queda de 19,7% nas vendas no terceiro trimestre de 2026 na comparação com igual período do ano anterior, recuando de 1,748 bilhão para 1,404 bilhão de euros. De acordo com o balanço divulgado pela companhia nesta quarta-feira (28/10), o resultado refletiu diretamente a retração de 17,3% nos volumes comercializados e a baixa de 4,8% nos preços praticados, efeitos que foram apenas parcialmente compensados por variações cambiais positivas (+2,1%) e ajustes de portfólio (+0,2%) — incluindo a conclusão da aquisição da australiana AgBiTech em março. A perda de receita e os preços menores comprometeram a rentabilidade da operação agrícola: o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) antes de itens especiais reverteu o saldo positivo de 80 milhões de euros do terceiro trimestre de 2025 para um resultado negativo de 48 milhões de euros, levando a respectiva margem de 4,5% positivos para 3,4% negativos.
Entre as linhas de negócios do setor agrícola, todas as categorias de defensivos químicos apresentaram retração no trimestre, enquanto apenas a área de sementes e biotecnologia (Seeds & Traits) registrou expansão, avançando 3,3%, de 263 milhões para 272 milhões de euros. Os herbicidas sofreram o maior tombo percentual (-31,3%), com o faturamento caindo de 461 milhões para 316 milhões de euros, seguidos pelos produtos para tratamento de sementes, que encolheram 29,7% (de 154 milhões para 108 milhões de euros). As vendas de fungicidas recuaram 22,2%, passando de 604 milhões para 470 milhões de euros, ao passo que os inseticidas registraram baixa de 11,0%, somando 237 milhões de euros ante 266 milhões de euros no ano anterior.
No recorte geográfico, a companhia atribuiu a retração expressiva na região que engloba América do Sul, África e Oriente Médio à queda nos preços e à antecipação estratégica de pedidos para o segundo trimestre de 2026, medida adotada para viabilizar a migração para um novo sistema de gestão empresarial (ERP). Na Europa e na região Ásia-Pacífico, as vendas recuaram de forma acentuada devido a condições climáticas adversas — agravadas pelos efeitos do fenômeno El Niño no mercado asiático e pela desvalorização da rupia indiana, que afetou sobretudo a demanda por herbicidas. Na América do Norte, a receita teve leve retração com menores volumes de defensivos e tratamento de sementes, mas foi amparada pelo aumento nas entregas de sementes e pelo efeito cambial favorável dos dólares norte-americano e canadense.
Considerando os itens especiais — que geraram despesas de 30 milhões de euros ligadas à separação jurídica da divisão agrícola e à implantação do sistema ERP —, o EBITDA total do segmento ficou negativo em 78 milhões de euros (contra 44 milhões positivos em 2025), enquanto o prejuízo operacional (EBIT) ampliou-se de 88 milhões para 206 milhões de euros e o fluxo de caixa recuou 36,9%, para 294 milhões de euros, impactado pelo aumento dos estoques. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a receita de Soluções Agrícolas somou 6,718 bilhões de euros (-6,0% ante os 7,150 bilhões de 2025) e o EBITDA antes de itens especiais caiu 11,7%, para 1,501 bilhão de euros. O resultado do agronegócio contrastou com o desempenho consolidado do grupo BASF, cujas vendas globais cresceram 14,2% no terceiro trimestre, atingindo 16,360 bilhões de euros, com o EBITDA ajustado avançando 14,9%, para 1,643 bilhão de euros — puxado pelas divisões industriais, químicas e de nutrição, o que levou a empresa a elevar sua projeção anual de EBITDA antes de itens especiais para a faixa entre 7,4 bilhões e 7,8 bilhões de euros.
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