Custo de produção da soja em Mato Grosso deve subir 3,2% na safra 2026/27

Alta nos fertilizantes e defensivos eleva o custeio para R$ 4.315 por hectare; produtor enfrentará crédito restrito e incertezas climáticas com o El Niño

Publicado em 17 de junho de 2026 às 12:38
Pedro

O custo de produção da soja no estado de Mato Grosso para a safra 2026/27 deverá registrar um aumento de 3,21% em comparação ao ciclo agrícola anterior. De acordo com o levantamento divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA), o custeio da cultura está estimado em R$ 4.315,29 por hectare. A pressão financeira sobre os sojicultores é impulsionada, principalmente, pela forte alta nos insumos básicos: os fertilizantes e corretivos registraram um encarecimento de 5,40%, reflexo de fatores geopolíticos globais, enquanto os defensivos agrícolas saltaram quase 11% em relação à safra passada.


Com o encarecimento das operações, o ponto de equilíbrio da atividade sofreu um aumento expressivo de 9,13%. Na prática, isso significa que o produtor rural precisará alcançar uma maior produtividade por hectare ou comercializar a oleaginosa a preços mais elevados para conseguir empatar os custos e manter a rentabilidade da fazenda. A analista de mercado da soja do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Milena Bezerra, destaca que o ambiente econômico traz desafios rigorosos para o planejamento da nova temporada. Segundo a especialista, o cenário de crédito rural mais restrito limita diretamente a capacidade de investimento dos produtores, afetando tanto a renovação de maquinários quanto a adoção de pacotes tecnológicos mais robustos nas lavouras.


Além do aperto financeiro limitando os investimentos, a safra 2026/27 exigirá extrema cautela em relação às variáveis meteorológicas, criando uma combinação de fatores que pode ameaçar a produtividade de Mato Grosso. Milena Bezerra alerta que a incerteza quanto à intensidade do El Niño preocupa o setor agropecuário, uma vez que o fenômeno impacta o desenvolvimento da cultura e limita o potencial das plantas. Embora ainda não seja possível prever com exatidão o comportamento das chuvas, a confirmação de anomalias climáticas no Pacífico Equatorial já é um indicativo claro de que haverá irregularidades na distribuição hídrica ao longo do cultivo. Os dados de monitoramento fazem parte do Projeto CPA, uma iniciativa desenvolvida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) em parceria com o Imea.

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