Choque energético eleva projeção de inflação de alimentos nos EUA para até 6% entre 2026 e 2027

Relatório do Rabobank aponta que guerra no Irã e fechamento do Estreito de Ormuz criam efeito cascata nos custos de produção, espremendo margens e mudando o comportamento do consumidor

Publicado em 1 de junho de 2026 às 23:03
Pedro

A inflação de alimentos nos Estados Unidos pode atingir até 6% no segundo semestre de 2026 e continuar pressionada ao longo de 2027, impulsionada por um choque energético decorrente de tensões geopolíticas, como a guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz. De acordo com a RaboResearch, diferentemente do pico inflacionário pós-pandemia que foi puxado pela demanda, o cenário atual reflete um ciclo focado na alta dos custos de produção. Essa volatilidade na energia cria um efeito dominó que afeta toda a cadeia: o encarecimento de fertilizantes e agroquímicos eleva os custos das lavouras, o que encarece a ração animal e, consequentemente, a produção de carnes e laticínios. O repasse de custos de logística, insumos e combustíveis atinge também com força os setores de hortifrúti, panificação e óleos vegetais.


Diante dessa escalada, as empresas do setor terão dificuldades para repassar os aumentos integralmente, resultando no esmagamento de suas margens de lucro. Para os consumidores americanos, que já não contam com as poupanças acumuladas na pandemia, a reação moldará uma tendência dividida, típica de uma economia em formato de "K". Enquanto as famílias de alta renda conseguirão manter seus gastos ajustando opções dentro de linhas premium, os consumidores de baixa e média renda sofrerão um impacto desproporcional. Estes últimos serão forçados a migrar para marcas próprias, buscar canais de desconto e reduzir suas cestas, acendendo um alerta para os varejistas sobre a provável queda nas vendas de bens de consumo convencionais e discricionários.

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