Irã pede que houthis se preparem para bloquear o Mar Vermelho caso EUA ataquem sua infraestrutura elétrica

Guerra impulsiona projetos de infraestrutura paralela na Arábia Saudita e Emirados Árabes; capacidade de desvio de exportações pode dobrar até 2027

Publicado em 16 de julho de 2026 às 19:13
Pedro

O Irã solicitou ao movimento houthi do Iêmen que fique de prontidão para fechar a rota petrolífera do Mar Vermelho caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura de energia iraniana, revelaram três fontes à Reuters nesta quinta-feira (16). A manobra representa uma nova e potente ameaça ao fornecimento global de energia.

A ideia foi debatida pela alta cúpula da República Islâmica e a mensagem já foi repassada aos aliados iemenitas. Uma fonte próxima aos houthis confirmou que o grupo concluiu os preparativos para atacar o tráfego marítimo, posicionando mísseis e drones nas montanhas do Iêmen (com vista para Hodeidah e o Golfo de Áden), perto do Estreito de Bab el-Mandeb — o principal portão de entrada do Mar Vermelho —, aguardando apenas a ordem para agir.


Representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) que já estão no Iêmen terão a palavra final sobre o momento exato de ordenar o fechamento do estreito.


O duplo estrangulamento do petróleo

Qualquer ameaça ao Mar Vermelho e à passagem de Bab el-Mandeb corre o risco de exacerbar enormemente a crise global desencadeada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Um bloqueio simultâneo das duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio abriria uma frente sem precedentes na crise energética e no conflito mais amplo do Irã com os Estados Unidos.


A escalada do conflito, que começou em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel ao Irã, já havia levado Teerã a fechar Ormuz (rota que antes transportava cerca de um quinto do suprimento global). Após o colapso de uma frágil trégua em junho, as tensões voltaram a explodir.


Com a paralisação em Ormuz, uma quantidade massiva de petróleo do Golfo foi desviada para o Mar Vermelho através de oleodutos. A hidrovia agora é responsável pelo trânsito de cerca de 7% de todo o suprimento global de energia. A própria Arábia Saudita desviou 70% de suas exportações de energia para o porto de Yanbu, localizado no Mar Vermelho. Ataques diretos a essa rota representariam um golpe devastador para os mercados.


"Se os combates se intensificarem e transbordarem para a infraestrutura de exportação e para a navegação no Mar Vermelho, isso ameaçará a única grande rota alternativa para as exportações de petróleo da região", alertou Torbjorn Solvedt, analista principal para o Oriente Médio da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.


Fim da trégua com a Arábia Saudita

Em um sinal de rápida deterioração da segurança regional, os houthis dispararam mísseis contra a Arábia Saudita no início da semana, acusando o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle. A ação rompeu formalmente uma trégua de quatro anos entre o país vizinho e o grupo iemenita.


Fontes próximas a Riade afirmam que a Arábia Saudita está levando as ameaças "muito a sério", ciente de que o grupo iemenita está coordenando suas ações no Mar Vermelho diretamente com o Irã. O objetivo dos clérigos iranianos, segundo as fontes, é pressionar os Estados Unidos elevando o custo potencial para a economia global.

O fechamento do estreito não exigiria grande esforço militar. "Qualquer um com um fuzil disparando pode interromper o transporte marítimo. Não é preciso ter mísseis sofisticados para isso", observou uma fonte regional.

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