China recorre a estoques recordes de petróleo em meio a queda histórica nas importações
Com importações no menor nível em dez anos, país utiliza reservas para contornar prejuízos no refino e baixa demanda doméstica; segundo a Reuters, recuo ajuda a conter preços globais
A China deve aumentar significativamente o uso de suas reservas comerciais de petróleo bruto, à medida que as importações marítimas do país atingiram seu nível mais baixo em dez anos. Segundo reportagem da Reuters, as importações marítimas em maio podem ter recuado para 6,451 milhões de barris por dia, o menor patamar em uma década, após as importações totais já terem despencado 20% em abril. Para compensar essa retração, as refinarias passaram a consumir cerca de 1 milhão de barris diários de seus estoques comerciais nas últimas semanas. O estoque chinês atingiu um pico de aproximadamente 1,25 bilhão de barris no início de maio, impulsionado por compras volumosas de petróleo russo e iraniano com desconto. Com mais de 200 milhões de barris acumulados apenas desde o início de 2025, analistas estimam que as reservas são suficientes para sustentar o país até meados de setembro, permitindo que a China evite compras agressivas com o barril cotado próximo a US$ 100.
Essa mudança de estratégia é fortemente motivada pela fraca demanda doméstica por combustíveis e pelos crescentes prejuízos no setor de refino. As refinarias chinesas enfrentam perdas severas, estimadas entre 600 e 1.300 yuans (US$ 88,74 a US$ 192,26) por tonelada métrica de petróleo processado, agravadas pelo teto de preços da gasolina imposto por Pequim para proteger os consumidores locais. Diante disso, grandes refinarias estatais, como a Sinopec, e processadoras independentes devem manter cortes na produção pelo menos até o mês de junho. Refletindo a lentidão no consumo — que foi aprofundada pela crescente eletrificação da frota e pelo maior uso do transporte público —, os estoques comerciais de gasolina e diesel atingiram os maiores níveis desde o início e julho de 2024, respectivamente.
No cenário global, a postura da China tem impactos diretos na dinâmica de preços. Pequim implementou medidas preventivas para proteger sua economia da disparada do petróleo no Oriente Médio, como a maximização da perfuração nacional e a restrição às exportações de combustíveis. A demanda contida do maior importador global ajudou a limitar os preços internacionais do petróleo, que registraram uma queda de 19% ao longo de maio. Esse recuo expressivo ocorreu mesmo em meio ao tenso cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã e ao fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, via estratégica por onde normalmente transita um quinto de todo o fornecimento global da commodity.
Deixe um comentário
Comentários (0)