Bielorrússia descarta Lituânia e afirma que exportações de potássio foram totalmente redirecionadas

Apesar de apelo dos EUA após alívio em sanções, Lukashenko afirma que produção já está vendida e logística via Rússia e China supre a demanda do país

Publicado em 3 de junho de 2026 às 15:20
Pedro

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, declarou que o país redirecionou totalmente suas exportações de fertilizantes potássicos e não vê necessidade de retomar o trânsito pela Lituânia. Durante uma cúpula em Astana, o mandatário destacou que os preços dos fertilizantes minerais dispararam e que toda a produção de potássio, fósforo e nitrogênio já está sob contrato a valores vantajosos, não havendo volume excedente disponível para novos fornecimentos. Embora Lukashenko tenha reconhecido que a rota pelo país vizinho proporcionaria margens de lucro maiores devido à proximidade, a falta de disposição do governo lituano em buscar um acordo fez com que as cargas fossem definitivamente realocadas para os portos da Rússia e para o transporte ferroviário com destino à China.


A consolidação dessa nova dinâmica logística contrasta com recentes movimentações diplomáticas dos Estados Unidos. No final de março, após reuniões com Lukashenko, o enviado especial dos EUA, John Coale, anunciou a retirada de sanções americanas sobre diversas instituições financeiras bielorrussas, sobre a gigante produtora Belaruskali e também sobre sua comercializadora, a BPC. Coale chegou a apelar para que a Lituânia retomasse o diálogo bilateral e voltasse a escoar o produto, já que as restrições de Washington haviam sido suspensas. Contudo, o presidente lituano, Gitanas Nauseda, e outras autoridades do país rejeitaram a iniciativa, reiterando o compromisso com as sanções ainda em vigor impostas pela União Europeia e descartando qualquer plano para liberar o trânsito do cloreto de potássio de Belarus.


Antes da imposição das sanções ocidentais a partir do segundo semestre de 2021, a Belaruskali representava mais de 20% do mercado global do setor, escoando anualmente de 10 a 11 milhões de toneladas do insumo para mais de 100 países, volume movimentado quase exclusivamente pelo porto lituano de Klaipeda. Com o rompimento do acordo de trânsito pelo governo da Lituânia efetivado em fevereiro de 2022, Belarus foi forçada a reestruturar completamente sua cadeia de suprimentos. O atual cenário descrito pelo governo indica que, apesar da perda da rota portuária original e mais lucrativa, a forte demanda global permitiu ao país realinhar e estabilizar suas vendas internacionais sem depender do território do bloco europeu.

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