Aderência do crédito rural na safra de soja atinge 82,6% e 98% da área segue janelas do ZARC, aponta Serasa Experian
Estudo baseado em sensoriamento remoto avaliou 42,7 mil contratos de custeio; divergências superiores a 10% na destinação da lavoura somam R$ 2,2 bilhões em financiamentos sob alerta.
O estudo "Mapa da Soja", conduzido pela Serasa Experian por meio de sensoriamento remoto com imagens do satélite Sentinel-2 cruzadas a dados do Sicor, identificou que 82,6% das operações de crédito rural avaliadas na safra 2025/26 apresentaram conformidade entre a finalidade contratada e o cultivo efetivamente implantado a campo. O índice representa um avanço de 6,6 pontos percentuais frente aos 76% apurados no ciclo 2022/23. O levantamento auditou 42.691 operações de custeio público da oleaginosa, totalizando 1,97 milhão de hectares financiados. A taxa de conformidade engloba 66,7% de áreas sem qualquer divergência detectada e 15,9% com variações de até 10% da área contratada — margem atribuída a imprecisões cartográficas e de escala cadastral.
No grupo que exige averiguação aprofundada pelas instituições financeiras, 17,4% dos contratos apresentaram inconsistência superior a 10% da área financiada, montante que corresponde a mais de R$ 2,2 bilhões em crédito concedido (cerca de 25% do volume financeiro total da amostra). As divergências distribuem-se entre diferenças de 10% a 50% da área (10,6% dos contratos), de 50% a 90% (3,7%) e acima de 90% (3,1%), incluindo registros onde nenhum hectare de soja foi identificado nos polígonos declarados. A análise serve como triagem de risco regulatório e cadastral conforme as diretrizes do Manual de Crédito Rural (MCR) e da Resolução CMN nº 5.267/2025.
No recorte de monitoramento territorial e climático, que cobriu 1,53 milhão de talhões e 46,9 milhões de hectares cultivados com soja, a pesquisa apontou que 97,8% da área foi semeada dentro das janelas agronômicas preconizadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). A maior parte das lavouras (84,9%) foi implantada sob a faixa de risco agroclimático de 20%, enquanto 10,7% enquadraram-se na faixa de 30%, 2,2% na faixa de 40% e 2,2% registraram plantio fora da janela recomendada, reforçando a eficácia do geomonitoramento na qualificação do risco de crédito e na prevenção de perdas produtivas.
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