Venezuela embarca novo lote de 30 mil toneladas de ureia para os EUA sob isenção de sanções
Carga da estatal Pequiven foi despachada a bordo do navio Annaliese via XTS Commodities; trata-se do terceiro envio de fertilizantes ao mercado norte-americano em 2026.
A Venezuela realizou o embarque de um novo carregamento de 30 mil toneladas métricas de fertilizantes, com alta probabilidade de se tratar de ureia, destinado aos Estados Unidos, segundo informou o encarregado de negócios da embaixada norte-americana em Caracas, John Barrett. O volume foi produzido e fornecido pela estatal venezuelana Pequiven e comercializado por intermédio da XTS Commodities, subsidiária da gestora Xtellus Partners. Em publicação em redes sociais, Barrett declarou que a carga contribuirá diretamente para o suprimento de insumos fundamentais para a agricultura dos Estados Unidos, reforçando a dinâmica do comércio bilateral e a recuperação econômica venezuelana.
Dados de rastreamento marítimo confirmam que o graneleiro Annaliese carregou cerca de 30 mil toneladas de ureia no complexo petroquímico e de nitrogenados da Pequiven localizado no estado de Anzoátegui — a única unidade industrial do país com escala técnica para viabilizar carregamentos desse porte. O complexo produtor pertencia originalmente à norte-americana Koch Industries, tendo sido estatizado em 2010 durante o governo do ex-presidente Hugo Chávez. Com essa atracação, o Annaliese representa a terceira embarcação a transportar ureia venezuelana aos portos dos Estados Unidos neste ano, fluxo viabilizado após o governo norte-americano conceder, em março, dispensas específicas de sanções econômicas (sanctions waivers) para transações comerciais com adubos do país sul-americano.
A movimentação logística ocorre em meio a arranjos políticos recentes em Caracas: em julho, a presidente interina Delcy Rodríguez designou José David Cabello para a presidência da Pequiven — irmão do ministro do Interior Diosdado Cabello, que permanece na lista de procurados da justiça norte-americana. Procurados para comentar detalhes adicionais sobre o embarque e a estrutura da operação, tanto a embaixada dos EUA em Caracas quanto representantes da Pequiven optaram por não se manifestar.
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