União Europeia importa recorde de 12,18 milhões de t de GNL de Yamal por € 7,88 bilhões (R$ 45,9 bilhões) até setembro

Bloco absorveu 85% de todas as cargas do polo ártico russo em 2026; prazo de sanções dos EUA e gargalo de navios quebra-gelo Arc7 elevam incerteza.

Publicado em 9 de outubro de 2026 às 12:53
Atualizado em 9 de outubro de 2026 às 16:16
Pedro

A União Europeia importou um volume recorde de 12,18 milhões de toneladas métricas de gás natural liquefeito (GNL) provenientes do megaprojeto russo Yamal LNG nos primeiros nove meses de 2026, desembolsando um montante estimado em € 7,88 bilhões (cerca de US$ 8,51 bilhões ou R$ 45,96 bilhões, à taxa de câmbio de US$ 1 = R$ 5,40). O fluxo de entregas para o continente europeu avançou 9,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior — em contraste direto com a retração de 1,3% nas vendas globais totais do projeto —, totalizando 167 cargas descarregadas em portos europeus, o que equivale a expressivos 85% de todo o volume comercializado por Yamal no período.


O desembolso trimestral da UE somou € 2,88 bilhões no primeiro trimestre, € 3,08 bilhões no segundo e recuou para € 1,92 bilhão no terceiro trimestre, período em que as descargas caíram 13,6% na base anual, para 2,21 milhões de toneladas. Em setembro, no entanto, os embarques voltaram a ganhar tração, atingindo 792.440 toneladas (ligeiramente acima de setembro de 2025), com valor avaliado em € 818 milhões (US$ 883,4 milhões ou R$ 4,77 bilhões). Os dados evidenciam a baixa eficácia prática da proibição europeia a contratos de curto prazo em vigor desde 25 de abril, mantendo a dependência até que o banimento amplo sobre contratos vigentes de longo prazo entre em vigor em 1º de janeiro de 2027.


O comércio enfrenta um ponto de inflexão diante do prazo fatal de 18 de outubro para a implementação da legislação norte-americana Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act (sancionada em 18 de setembro). A lei autoriza sanções diretas e secundárias contra embarcações envolvidas no transporte de energia russa, operadores portuários internacionais que prestem serviços a navios sancionados e agentes ligados a empreendimentos como o Yamal LNG. A dependência do projeto em relação à Europa é estruturalmente logística: Yamal opera com uma frota restrita e especializada de transportadores de GNL classe de gelo Arc7. A proximidade dos terminais e estaleiros europeus permite viagens curtas de ida e volta e manutenção rápida, fator crítico às vésperas do inverno boreal, quando as condições de gelo severo fecham ou encarecem a navegação pela Rota Marítima do Norte em direção à Ásia.

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