Trump adverte empresas de fertilizantes contra "preços abusivos" e monopólio em meio à guerra no Irã

Presidente dos EUA mira gigantes do setor enquanto bloqueio em Ormuz faz cotações dispararem; Mosaic rebate e cita "fatores de mercado"

Publicado em 13 de abril de 2026 às 16:59
Pedro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais no fim de semana para alertar as empresas de fertilizantes contra o uso de poder de "monopólio" para elevar excessivamente os preços no mercado americano. A declaração ocorre no momento em que a guerra entre EUA, Israel e Irã continua a causar fortes disrupções nas cadeias globais de suprimento do setor.


Em sua plataforma Truth Social, Trump afirmou no sábado que está "observando os preços dos fertilizantes DE PERTO" durante o que descreveu como a "LUTA PELA LIBERDADE no Irã" por parte dos EUA. O presidente acrescentou que sua administração "não aceitará PREÇOS ABUSIVOS do monopólio de fertilizantes".

Os comentários públicos provocaram uma resposta indireta da Mosaic, uma das maiores produtoras americanas de fosfatados e potássio. Em publicações nas redes sociais no próprio sábado, a companhia argumentou que os preços globais dos fertilizantes são moldados por "fatores de mercado bem documentados" e que são essas forças — e não os produtores individuais — que determinam a precificação no setor.


Os preços domésticos e globais de fertilizantes subiram acentuadamente nos últimos meses, atingindo as máximas de vários anos devido ao bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã. A rota marítima é responsável pelo trânsito de aproximadamente 35% de toda a ureia transportada por vias marítimas no mundo. Além disso, 20% a 25% da amônia, 50% do enxofre e 19% do comércio marítimo global de DAP e MAP passam pelo estreito. Países da região são vitais para o mercado americano, com a Arábia Saudita figurando como um dos principais fornecedores de DAP e MAP para os EUA, e o Catar exercendo o mesmo papel no fornecimento de ureia.


Na semana passada, os preços do DAP e do MAP em Nova Orleans (Nola) atingiram US$ 770 por tonelada curta (FOB), o maior valor desde setembro de 2022. Os valores da ureia em Nola encerraram a semana a US$ 692 por tonelada curta, um salto em relação aos US$ 405 do ano anterior, igualando também os picos de 2022, período em que a guerra entre Rússia e Ucrânia apertou a oferta global.


O embate entre Trump e a indústria destaca a crescente proeminência dos fertilizantes no discurso político em torno da guerra no Oriente Médio, bem como a preocupação da Casa Branca com o aumento dos custos enquanto os agricultores americanos iniciam o plantio de primavera. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) já vem trabalhando com o Departamento de Justiça desde setembro de 2025 para investigar a alta nos preços de sementes e fertilizantes. Gigantes como Nutrien, Mosaic, CF Industries, Koch e Yara foram incluídas na investigação, que foca na concentração de mercado nos segmentos de nitrogenados, fosfatados e potássio.


A escalada dos preços também atraiu a atenção de legisladores americanos e levou grupos de lobby de agricultores a pressionarem a administração Trump para que suspenda as taxas compensatórias sobre as importações de fosfato da Rússia e do Marrocos, que atualmente estão sob revisão.


⚠️ Essa análise é só um recorte.

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