Safra brasileira de grãos pode atingir recorde de 367,1 milhões de toneladas em 2026/27

Primeira estimativa da Conab aponta crescimento de 1,4% na produção e de 2,3% na área cultivada, projetada em 85,4 milhões de hectares.

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 22:30
Atualizado em 16 de outubro de 2026 às 22:37
Pedro

A safra brasileira de grãos deve atingir um novo recorde histórico de 367,1 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, representando um avanço de 1,4% em comparação com a temporada anterior, segundo o primeiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A área total cultivada no país foi estimada em 85,4 milhões de hectares, expansão de 2,3% frente a 2025/26. O incremento produtivo nacional será sustentado fundamentalmente pelo ganho de volume na soja e no milho, enquanto as culturas de arroz e feijão registraram retração nas projeções e o algodão sinalizou estabilidade. No segmento de inverno, a colheita do trigo enfrenta forte quebra de produtividade decorrente da disseminação de moléstias fúngicas em múltiplos estados produtores.


A colheita de soja deverá consolidar um novo recorde de 181,6 milhões de toneladas (+0,7%), ocupando 49,3 milhões de hectares (+1,4%). Contudo, a taxa de expansão territorial da oleaginosa representa o menor ritmo percentual dos últimos 20 anos, reflexo do estreitamento das margens operacionais dos produtores e da menor atratividade para a abertura e incorporação de novas áreas agrícolas. O rendimento médio foi projetado em 3.683 kg/ha (-0,8%). Até 2 de outubro, a semeadura cobria 9,4% da área nacional — superando a média quinquenal de 8,8% —, liderada pelo Paraná (28,5%) e Mato Grosso (14,4%). A Conab estima exportações de 117,96 milhões de toneladas e processamento doméstico de 63,76 milhões de toneladas, enquanto produtores cumprem o vazio sanitário para contenção da ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi).


Para o milho, a produção consolidada das três safras deve alcançar 148 milhões de toneladas, alta de 2,4%, em uma área de 23,7 milhões de hectares (+4,9%). O milho primeira safra (verão) lidera o movimento relativo com salto de 10,7% em área (4,54 milhões de hectares) e colheita prevista de 32,1 milhões de toneladas, impulsionado pelo consumo das indústrias de etanol de milho. A segunda safra (safrinha) foi estimada em 113,3 milhões de toneladas (18,5 milhões de hectares) e a terceira em 2,7 milhões de toneladas. No início de outubro, o plantio da primeira safra somava 30,8% da área nacional, avançado no Rio Grande do Sul (78%), Paraná (72%) e Santa Catarina (65%), sob monitoramento fitossanitário para cigarrinha, percevejos e lagarta-rosca.


Em contraste com os grãos de verão, a safra de trigo de 2026 amarga um recuo expressivo de 27,2%, com volume estimado em apenas 5,73 milhões de toneladas e encolhimento de 21,1% na área (1,93 milhão de hectares). Com pouco mais de um terço da colheita concluída nacionalmente e operações já encerradas em Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o levantamento aponta perdas severas de produtividade provocadas pela disseminação de giberela e brusone, além de oídio, ferrugens e manchas foliares no Sul. O arroz também terá menor oferta: queda de 2,9% na produção, para 10,75 milhões de toneladas (1,53 milhão de hectares), decorrente da retração de 0,4% na área irrigada gaúcha e catarinense. O feijão totaliza 2,93 milhões de toneladas nas três safras (-0,7%), com atenção voltada à pressão de Fusarium em Mato Grosso, mosca-minadora em Minas Gerais e podridões radiculares em Santa Catarina. Já a pluma de algodão deve totalizar 4,16 milhões de toneladas (+0,3%) em 2,09 milhões de hectares (+3,7%), mantendo estabilidade produtiva antes do início do plantio.

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