Região russa de Rostov declara estado de emergência com paralisia logística e colapso nas exportações de grãos
Ataques a portos nos mares de Azov e Negro derrubam embarques de trigo em agosto para o menor nível em 16 anos e pressionam cotações locais em 35%.
A região russa de Rostov, responsável por cerca de 10% de toda a produção de grãos do país, declarou estado de emergência a partir de 28 de agosto devido ao agravamento dos entraves logísticos nos embarques de exportação. O acúmulo dos volumes colhidos na nova safra e a paralisia nos terminais portuários intensificaram a pressão de baixa sobre os preços no mercado doméstico. O colapso operacional ganhou força após a suspensão das atividades nos portos do Mar de Azov em meados de julho, decorrente de ataques com drones, rota que anteriormente movimentava até 1,5 milhão de toneladas de grãos por mês. Danos adicionais sofridos em agosto pelos principais terminais do Mar Negro restringiram ainda mais a capacidade de escoamento internacional da Rússia.
Como reflexo direto dessas interrupções, as exportações russas de trigo em agosto estão estimadas em apenas 1,9 milhão de toneladas, registrando o menor volume para o mês em 16 anos — montante 2,3 vezes inferior ao apurado em agosto do ano anterior e 2,6 vezes abaixo da média dos últimos cinco anos. Com a oferta retida internamente e os silos sobrecarregados, os preços do trigo Classe 4 na porção europeia da Rússia despencaram para cerca de 8.575 rublos por tonelada (~US$ 95 a US$ 100/t), acumulando uma retração de 35% desde o início da temporada. Diante de terminais saturados e da capacidade limitada de desvio de cargas para portos do Mar Báltico ou rotas do norte, produtores aceleram a liquidação física da safra enquanto o governo avalia rotas alternativas e corredores marítimos setentrionais.
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