Recuperações judiciais no agronegócio caem 20,7% no 2º trimestre de 2026 e somam 448 pedidos

Retração interrompe ciclo de altas registradas desde 2023 no levantamento da Serasa Experian; Mato Grosso lidera o ranking estadual com quase 24% das solicitações.

Publicado em 20 de outubro de 2026 às 00:23
Pedro

O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, representando um recuo de 20,7% frente às 565 solicitações apuradas em igual período de 2025. O resultado encerra a trajetória consecutiva de altas observada para os segundos trimestres nos anos de 2023, 2024 e 2025 na série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2021. Na comparação direta com o primeiro trimestre de 2026, quando foram contabilizados 474 processos, a retração foi de 5,5%. O indicador consolida requerimentos apresentados por produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas integrantes da cadeia do setor.


O head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, destacou que a diminuição nos números deve ser analisada com cautela, sem configurar reversão total das pressões financeiras sobre o campo. De acordo com o executivo, o recuo em dois dos três segmentos avaliados pode estar associado ao ingresso de receitas sazonais da safra, à dinâmica do calendário agropecuário e à evolução de negociações diretas com credores, alertando que o cenário operacional segue pressionado por custos elevados, endividamento e condições seletivas de concessão de crédito.


No recorte geográfico consolidado, o estado de Mato Grosso concentrou o maior volume de processos entre abril e junho, somando 107 registros (23,9% do total nacional). O ranking dos principais estados reúne ainda Goiás, com 84 pedidos (18,8%), São Paulo, com 72 (16,1%), Minas Gerais, com 54 (12,1%) e Paraná, com 42 (9,4%), seguidos por Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Tocantins no grupo das dez maiores ocorrências.


Na divisão por perfis de devedores, os produtores rurais pessoa física responderam pelo maior contingente de pedidos no trimestre, totalizando 197 processos — queda de 10,5% ante os 220 registros do segundo trimestre de 2025. Neste segmento, Mato Grosso liderou com 49 ocorrências, acompanhado por Goiás (46), Minas Gerais (23), São Paulo (22) e Paraná (16). Por porte de propriedade, os agricultores enquadrados na categoria "sem propriedades", que inclui arrendatários e participantes de grupos familiares, concentraram 70 solicitações, seguidos pelos grandes proprietários (51), pequenos proprietários (39) e médios produtores (37).


Entre as pessoas jurídicas rurais, as solicitações recuaram 34,2% no confronto anual, baixando de 243 para 160 processos no segundo trimestre de 2026. A sojicultura acumulou o maior número de pedidos no perfil empresarial, com 70 ocorrências, seguida pela bovinocultura (28), cana-de-açúcar (15), cafeicultura (13) e lavouras de cereais (12). Mato Grosso respondeu por 54 desses registros societários, à frente de São Paulo (28), Goiás (22), Minas Gerais (21) e Paraná (15). Por fim, as empresas ligadas à cadeia e serviços do agronegócio protocolaram 91 pedidos de recuperação no período (queda de 10,8% sobre as 102 solicitações do segundo trimestre de 2025), com maior concentração nas atividades de serviços de apoio agropecuário (26), agroindústria de transformação primária (20), atacado de produtos agropecuários primários (18) e revendas de insumos (10).

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