Pelo menos 12 navios foram atacados no Estreito de Ormuz na última semana, mas subnotificação mascara gravidade real, alerta UKMTO
Entidade da Marinha britânica aponta que armadores evitam relatar incidentes; ataques se concentram no canal sul, utilizado para trânsitos escoltados pelos EUA.
Pelo menos 12 embarcações comerciais foram alvo de ataques no Estreito de Ormuz e em bacias adjacentes ao longo da última semana, embora o número real de ocorrências seja consideravelmente superior devido à subnotificação deliberada por parte dos operadores marítimos, segundo relatório semanal emitido pelo United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO). O órgão britânico, administrado pela Marinha Real e responsável pela interface entre comandos militares e a frota mercante civil, declarou enfrentar dificuldades operacionais para dimensionar com exatidão a escala das investidas na região, uma vez que grande parte dos navios e armadores tem se recusado a reportar oficialmente os incidentes. A entidade destacou ter conhecimento de episódios adicionais por meio de fontes alternativas de inteligência, mas ressaltou estar impossibilitada de formalizá-los em seus boletins oficiais devido à ausência de verificação direta com as tripulações.
Entre os dias 9 e 13 de outubro, o UKMTO registrou formalmente 12 incidentes na área de vigilância — sendo 10 concentrados diretamente no Estreito de Ormuz, um no Golfo de Omã e um no Golfo Pérsico. Quanto ao estado das embarcações alvejadas, o balanço indica que seis conseguiram seguir viagem ou atracar em porto seguro, três sofreram danos materiais ou tiveram o desfecho operacional não confirmado, duas ficaram à matacavalo (avariadas e sem governo próprio) e uma embarcação foi totalmente perdida. A maior parte das ações hostis continua concentrada ao longo do canal de navegação sul (southern lane), justamente o corredor hidroviário onde vinham sendo conduzidos os trânsitos escoltados e assistidos pelas forças navais norte-americanas.
Apesar da sequência contínua de ataques e da escalada de riscos para a navegação civil, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) segue sustentando que mantém o domínio operacional do corredor. Em pronunciamento oficial emitido na quinta-feira, o comando militar norte-americano refutou as alegações de Teerã, afirmando que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) declara falsamente ter o controle do Estreito de Ormuz. O CENTCOM reiterou que as forças dos EUA e seus parceiros regionais controlam a via marítima e asseguram a continuidade do trânsito de navios mercantes, a despeito das agressões não provocadas da Guarda Revolucionária.
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