Navios graneleiros com enxofre cruzam o Estreito de Ormuz sob fretes de até US$ 200 por tonelada e risco de ataques

Embarcações desligam sistemas de rastreamento para navegar na região em meio a seguros proibitivos; associados da AMR contam com o acompanhamento diário desses e de outros indicadores estratégicos do mercado naval.

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 19:12
Pedro

Dois navios graneleiros transportando cargas de enxofre originárias do Oriente Médio atravessaram o Estreito de Ormuz nos últimos dois dias, desafiando o risco iminente de ataques com mísseis e drones contra a navegação comercial. O navio Calista, com porte bruto de 35.062 toneladas, carregou o insumo em Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, e realizou a travessia com provável destino a uma indústria produtora de níquel na Indonésia. Por sua vez, a embarcação Exeed, de 50.992 toneladas de porte bruto, embarcou enxofre em Ras Laffan, no Catar, e também concluiu o trânsito pelo estreito com destino final ainda não divulgado.


As travessias ocorreram logo após o registro de cerca de 12 incidentes contra embarcações na semana anterior, incluindo impactos diretos em um navio graneleiro, em um porta-contêineres e em múltiplos petroleiros. O ataque a navios de granéis sólidos acendeu alertas operacionais entre os agentes de comércio de enxofre, visto que esse segmento era anteriormente considerado à margem dos principais alvos bélicos, historicamente concentrados em navios-tanque de petróleo.


Para mitigar a vulnerabilidade a ofensivas, os comandantes têm mantido os sistemas automáticos de identificação (AIS) desligados durante as operações de carregamento nos terminais, nos períodos de fundeio e ao longo de toda a passagem pelo estreito em ambos os sentidos. Os sinais de posicionamento são reativados apenas após a saída segura das águas do Golfo.


A conjuntura bélica impulsionou os custos de frete para o transporte de enxofre a granel a patamares recordes, cotados entre US$ 140 e US$ 200 por tonelada para lotes de 30 mil a 50 mil toneladas. O choque nas tarifas decorre da reduzida disponibilidade de armadores dispostos a operar na rota, de apólices de seguro contra riscos de guerra em patamares extraordinários, de bônus de risco exigidos pelas tripulações e da alta internacional no combustível marítimo de bancor. O cenário aperta as margens de receita líquida dos produtores instalados no interior do Golfo Pérsico, sem perspectiva de alívio tarifário antes de uma desescalada militar consistente na hidrovia. Associados da AMR acompanham diariamente a evolução desse e de outros indicadores essenciais para a tomada de decisão no setor.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.