Irã eleva compras de trigo e busca autonomia na produção de grãos
Programa de aquisição garantida já soma 5,5 milhões de toneladas; governo enfrenta desafios para regularizar pagamentos aos produtores
O Irã atingiu a marca de 5,5 milhões de toneladas de trigo adquiridas junto aos agricultores locais desde o início do atual ano comercial, em 21 de março de 2026. Segundo o vice-ministro da Agricultura, Akbar Fathi, o volume supera em 1% o resultado do mesmo período do ano anterior, com expectativa de crescimento acelerado nas próximas semanas, à medida que a colheita avança pelas regiões montanhosas e pelo norte do país. A projeção oficial é que a safra total atinja cerca de 13,5 milhões de toneladas em 2026/27, sendo que o governo planeja adquirir entre 9 e 10 milhões de toneladas para abastecer o programa de estoques estratégicos.
Apesar do sucesso operacional na colheita, o governo enfrenta pressão interna devido ao atraso nos pagamentos aos produtores. Dos 2,73 quatrilhões de riais (cerca de US$ 2 bilhões) devidos aos agricultores pelas entregas já realizadas, apenas 630 trilhões de riais (US$ 463 milhões) foram quitados até o momento. A administração atribui a morosidade a restrições temporárias de liquidez, garantindo, contudo, que os recursos já estão alocados no orçamento estatal. Por determinação do presidente Masoud Pezeshkian, agências governamentais estão acelerando o financiamento, e o Ministério da Agricultura já prepara uma linha de crédito específica para garantir capital de giro aos produtores para a próxima safra.
O fortalecimento da produção local de trigo é uma das prioridades do governo iraniano para garantir a segurança alimentar diante do cenário de instabilidade geopolítica. Na safra anterior, o país colheu 11,7 milhões de toneladas, com 7,8 milhões de toneladas adquiridas pelo governo. O crescimento contínuo tanto da produção total quanto do volume captado pelo governo demonstra o esforço do país em reduzir a dependência externa de grãos em um momento em que a logística marítima na região enfrenta bloqueios severos, ressaltando o papel vital do setor agrícola na resiliência econômica do país.
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