Houthis ameaçam tráfego aéreo na Arábia Saudita e reivindicam ataque a refinaria após recuo em campo de batalha

Milícia iemenita adverte companhias aéreas internacionais após ofensiva de Riad; Turquia e Paquistão articulam envio de apoio militar ao reino saudita.

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 23:35
Pedro

O movimento rebelde houthi no Iêmen declarou nesta segunda-feira (05/10) que todos os voos civis internacionais que utilizam o espaço aéreo da Arábia Saudita tornaram-se alvos em potencial de suas forças militares. O ultimato foi divulgado após a milícia pró-Irã sofrer reveses territoriais recentes decorrentes da ofensiva deflagrada pelas forças do governo iemenita reconhecido internacionalmente, com apoio e coordenação militar de Riad.


Em comunicado veiculado por canais militares, os houthis alegaram ter realizado ataques com mísseis e drones contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital Riad, além de outros terminais civis sauditas e da refinaria Rabigh da Saudi Aramco, complexo de processamento de petróleo situado na costa do Mar Vermelho. Até o momento, não houve confirmação independente de danos ou interrupções operacionais nessas instalações.


Apesar da ameaça do grupo para que as companhias aéreas internacionais cessem imediatamente os sobrevoos no território saudita, o espaço aéreo permaneceu formalmente aberto e com operações comerciais regulares, sem restrições declaradas pela Autoridade Geral de Aviação Civil (GACA) ou pelo provedor de navegação aérea SANS. Contudo, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) já havia emitido alerta na última semana recomendando que companhias aéreas evitem setores da região de informação de voo de Jidá devido à escalada de drones e projéteis balísticos, enquanto a Embaixada dos Estados Unidos em Riad atualizou seu alerta consular advertindo sobre riscos iminentes de ataques aéreos.


No campo diplomático e militar, o governo de Donald Trump adotou postura cautelosa e evitou anunciar formalmente o envio imediato de reforços de defesa antiaérea ao reino saudita, embora o secretário de Estado, Marco Rubio, tenha reiterado o compromisso do acordo bilateral de defesa e segurança com Riad sem detalhar recursos operacionais.


Diante da hesitação de Washington, a resposta de dissuasão começou a se articular por meio de parceiros regionais: Turquia e Paquistão — que firmaram uma aliança informal de segurança com a Arábia Saudita no mês passado — indicaram prontidão para intervir e mobilizar suporte bélico. Em nota conjunta divulgada na segunda-feira, Ancara, Islamabad e Riad comprometeram-se a tomar medidas imediatas para mobilizar e posicionar tropas e recursos militares de forma rápida em território saudita, elevando a probabilidade de internacionalização direta do conflito no Iêmen e aumentando os prêmios de risco para as rotas logísticas e de energia no Oriente Médio.

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