Guerra no Oriente Médio corta mais de 5 milhões de bpd da capacidade global de refino
Conflito paralisa plantas no Golfo Pérsico e na Ásia-Pacífico; exportações líquidas da região despencam em 9 milhões de barris diários
A guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã já retirou mais de 5 milhões de barris por dia (bpd) da capacidade global de refino. A redução drástica ocorre tanto por paralisações forçadas de instalações quanto por cortes operacionais motivados pela restrição na oferta de petróleo bruto, de acordo com um levantamento da trading Vitol.
Durante a Conferência ARDA, realizada na Cidade do Cabo (África do Sul), o analista da Vitol, Simon Warren, detalhou que cerca de 3 milhões de bpd de capacidade de refino foram desligados no Golfo Pérsico desde o início do conflito. Outros 2 a 3 milhões de bpd de capacidade fora do Oriente Médio também estão inoperantes, refletindo diretamente a perda de suprimento de petróleo da região. As refinarias da Ásia-Pacífico são as mais severamente afetadas pelo desabastecimento.
"Estamos no olho da disrupção", afirmou Warren. Segundo o analista, o estrago logístico e estrutural é profundo: mesmo que a guerra terminasse agora, o mercado levaria de três a quatro meses apenas para reativar as refinarias paralisadas no Golfo Pérsico.
Impacto na produção e na economia
No segmento de exploração e produção (upstream), o cenário é ainda mais crítico. O Oriente Médio registrou uma perda de 12 milhões de bpd na produção de petróleo, e a reativação dos milhares de poços fechados por causa do conflito exigirá semanas de trabalho. A Vitol estima que as exportações líquidas de petróleo da região despencaram em 9 milhões de bpd desde o início das hostilidades.
O conflito também está reconfigurando o consumo. A Vitol projeta que a demanda global por petróleo neste ano será cerca de 100 milhões de barris menor do que seria no cenário pré-guerra. Apenas a demanda por querosene de aviação no Golfo Pérsico sofreu um tombo de 300 mil bpd.
No âmbito macroeconômico, a trading prevê uma contração de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) do Oriente Médio em 2026, impulsionada pelo forte golpe na indústria do turismo regional. Apesar das evidentes pressões inflacionárias globais geradas pela crise energética, a empresa informou que, no momento, não projeta uma recessão econômica em escala global.
⚠️ Essa análise é só um recorte.
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