Fluxos de petróleo e derivados por Ormuz alcançam 14 milhões de b/d sob fretes parabólicos e ataques noturnos

Volume escoado representa 70% do nível pré-guerra e serve de oxigênio para o refino na Ásia em meio ao esgotamento dos estoques no Ocidente.

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 23:36
Pedro

A movimentação combinada de petróleo bruto e derivados refinados através do Estreito de Ormuz vem registrando uma média de aproximadamente 14 milhões de barris por dia (b/d), segundo declaração do presidente-executivo da Vitol, Russell Hardy, durante o Energy Intelligence Forum, em Londres. Pelas estimativas da maior trading de energia do mundo, cerca de 12 milhões de b/d de óleo cru e 2 milhões de b/d de derivados conseguiram cruzar a passagem marítima nos últimos 7 a 10 dias.


O executivo classificou esse escoamento como uma "tábua de salvação indispensável" para o sistema energético global, tendo em vista que a ampla maioria dessa carga é destinada a refinarias na Ásia, garantindo o processamento industrial e atendendo ao déficit estrutural de compras na China. Antes do início do conflito armado entre Estados Unidos e Irã, o tráfego regular por Ormuz girava em torno de 20 milhões de b/d, o que coloca a taxa atual de recuperação em aproximadamente 70% da capacidade histórica.


A manutenção contínua desses volumes é considerada por Hardy vital para a estabilidade do abastecimento ao longo do inverno no Hemisfério Norte, sobretudo diante da ausência de margem de manobra nos países ocidentais: "Não existem mais estoques para drenar no Ocidente", alertou o executivo, reforçando o esgotamento dos colchões de segurança energética.


Para contornar os bloqueios, produtores do Golfo Pérsico têm recorrido a estratégias logísticas atípicas, como a navegação em comboios curtos (shuttle) pela rota sul do estreito e a realização de transferências navio a navio (ship-to-ship - STS) na costa de Omã e da Índia. Contudo, as travessias tornaram-se consideravelmente mais perigosas nos últimos dias em decorrência da retomada dos ataques por forças iranianas contra a marinha mercante, com registros de confrontos e disparos em quase todas as noites.


Embora mais armadores independentes e frotas estatais tenham aceitado assumir o risco da rota em busca de margens extraordinárias, Hardy enfatizou a severa ineficiência desse arranjo logístico fracionado. A dependência de múltiplos navios de transbordo e os riscos de segurança resultaram em uma escalada parabólica nas tarifas de afretamento marítimo, encarecendo de forma substancial a matriz de transporte internacional de hidrocarbonetos.

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