Exportações ucranianas migram para o Danúbio após ataques a portos de Odesa
Mercado de trigo sofre com paralisação logística e incertezas globais, enquanto preços avaliam perspectivas de safra e tensões geopolíticas no Oriente Médio
O mercado de exportação agrícola da Ucrânia está mudando rapidamente para a rota do rio Danúbio, na sequência dos ataques russos aos portos da Grande Odesa. Segundo analistas da White Brokers, alguns traders também têm tentado redirecionar as exportações de trigo por via férrea através da fronteira ocidental do país, mas essa alternativa permanece economicamente ineficiente para o grão.
De acordo com a corretora, até sexta-feira, os preços nos portos do Danúbio operavam em torno de US$ 195 por tonelada para o trigo forrageiro e US$ 200 por tonelada para o trigo de moagem Classe 3. Os ataques russos tornam a situação cada vez mais difícil para os produtores, uma vez que a colheita está apenas começando e estoques substanciais da temporada anterior continuam no mercado. Sem a reabertura dos portos de águas profundas da Ucrânia, a expectativa é de que a pressão sobre os preços domésticos se intensifique nas próximas semanas.
Como reflexo imediato, o mercado ucraniano de trigo registrou um declínio acentuado na atividade de negociações nesta semana. Nos portos de águas profundas, os preços de compra praticamente desapareceram, com os traders suspendendo quase totalmente as aquisições. A White Brokers destacou que, após os ataques à infraestrutura e a embarcações civis, o mercado entrou em um período de forte incerteza. Muitos compradores enfrentam dificuldades para cumprir contratos por impossibilidade de carregamento, e os armadores começaram a recusar o posicionamento de navios nas áreas de risco.
No cenário global, as cotações do trigo encontram-se divididas entre diferentes pressões. No curto prazo, fatores que puxam os preços para baixo incluem:
• O início da colheita no Hemisfério Norte.
• A forte concorrência, com ofertas de baixo preço de alguns exportadores pressionando as licitações internacionais.
• Perspectivas favoráveis de safra na Europa.
Em contrapartida, os preços encontram suporte de alta em:
• Interrupções logísticas no Mar Negro e no Mar de Azov.
• Menor produção de trigo nos Estados Unidos e riscos inflacionários.
• Riscos geopolíticos e logísticos — especialmente com o aumento das tensões no Oriente Médio, em torno do Irã e do Estreito de Ormuz, que continuam a inflar os custos de frete e a ameaçar as cadeias de suprimentos.
• Condições climáticas adversas em partes da Europa.
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