EUA recebem primeiro lote de potássio de Belarus após retirada de sanções em meio a tensões comerciais com Canadá

Carga de 30 mil toneladas com destino a Nova Orleans marca retomada dos fluxos bilaterais, enquanto Washington pressiona Europa para reabrir corredor logístico no Báltico.

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 15:12
Atualizado em 16 de setembro de 2026 às 15:15
Pedro

Uma remessa de 30 mil toneladas de cloreto de potássio (KCl) granular será embarcada no final deste mês com destino ao porto de Nova Orleans, nos Estados Unidos. A operação marca a primeira transação comercial de fertilizantes potássicos concluída entre os dois países desde a imposição de sanções econômicas por Washington contra o setor produtivo bielorrusso em 2021.


A retomada do fluxo comercial resulta da flexibilização das restrições pelo governo norte-americano, iniciada em dezembro de 2025 após negociações diplomáticas e consolidada com o levantamento integral das restrições remanescentes em março de 2026. No entanto, o escoamento do produto ainda enfrenta entraves logísticos no Leste Europeu: com a manutenção das sanções pela União Europeia, o potássio bielorrusso permanece impedido de utilizar o corredor ferroviário e o terminal portuário de Klaipėda, na Lituânia, dependendo de rotas mais longas e onerosas via ferrovias e portos russos.


Diante desse gargalo, o governo dos Estados Unidos intensificou gestões diplomáticas junto a capitais europeias e autoridades ucranianas para tentar restabelecer o trânsito de fertilizantes pelo porto lituano. Embora o governo da Lituânia continue rejeitando a flexibilização do bloqueio com base em diretrizes de segurança nacional e nas regras comunitárias da UE, a ofensiva de Washington reflete a estratégia de remodelar as rotas marítimas globais de insumos e diversificar suas origens de abastecimento.


O movimento norte-americano visa mitigar vulnerabilidades estruturais críticas em seu mercado interno, onde mais de 90% do consumo anual de potássio depende de importações, majoritariamente originadas no Canadá. Com o acirramento das disputas tarifárias e atritos comerciais entre Washington e Ottawa, o potássio — embora temporariamente isento de sobretaxas — passou a ser encarado pelos canadenses como uma ferramenta de retaliação comercial. Paralelamente, a Alemanha identificou a dependência norte-americana do insumo como um ponto de vulnerabilidade, avaliando ajustes nos volumes de exportação de suas operações de mineração no Canadá para fortalecer sua posição defensiva em negociações comerciais transatlânticas, consolidando o fertilizante como ativo de peso no tabuleiro geopolítico internacional.

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