Colheita de trigo da Rússia em 2026 enfrenta pressão logística e alta de custos mesmo com condições de lavoura favoráveis
Escassez de combustível, retorno de taxas de exportação e aumento dos custos logísticos ameaçam a competitividade russa em um mercado do Mar Negro cada vez mais disputado por Ucrânia, Romênia e Bulgária
A safra de trigo da Rússia em 2026 partiu de bases favoráveis: as condições das lavouras de inverno foram classificadas como boas a excelentes entre março e abril, com perdas mínimas por geada, e as exportações da temporada 2025/26 devem atingir cerca de 45 milhões de toneladas, ante 43,3 milhões em 2024/25, mantendo o país como maior exportador mundial de trigo. No entanto, um fator novo e acumulativo surgiu em maio para complicar o cenário: a escassez de combustível. Ainda que analistas russos sustentem que os estoques de diesel são suficientes para completar a colheita, o problema real se desloca para a logística — a capacidade de movimentar o grão pelo sistema de forma eficiente e dentro do prazo.
Com o início da colheita no sul da Rússia, os preços domésticos na fazenda caem rapidamente sob pressão de múltiplos fatores: maior oferta nas regiões exportadoras do sul, onde as produtividades superam as do ano passado; elevação contínua dos custos logísticos acompanhando os preços do combustível; retorno das taxas de exportação a partir do início de julho, encarecendo toda a cadeia; e maior risco de descumprimento de prazos de entrega pelos exportadores diante das dificuldades logísticas internas. O cenário se agrava pelo aumento da concorrência no Mar Negro: Romênia e Bulgária entram na nova temporada com boas perspectivas de produção, e a Ucrânia, apesar da guerra em curso, continua demonstrando forte potencial exportador, com sistemas logísticos flexíveis desenvolvidos ao longo de anos de operação em condições de conflito.
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