Autoridade marítima iraniana dos Estreitos do Golfo relata passagem de mais de 200 navios antes do fechamento de Ormuz

Disputa entre Teerã e Washington sobre qual rota deve ser usada no estreito está no centro da escalada recente, com EUA defendendo o corredor sul omanense e Irã exigindo uso da rota norte iraniana

Publicado em 15 de julho de 2026 às 01:39
Pedro

A Autoridade dos Estreitos do Golfo Pérsico (PGSA) divulgou nesta terça-feira que mais de 200 navios não iranianos coordenaram com a autoridade para transitar pelo Estreito de Ormuz nas três semanas seguintes à assinatura do memorando de entendimento entre EUA e Irã em 18 de junho — período em que as taxas de permissão foram suspensas como parte do acordo. Do total de embarcações, 41% eram petroleiros, 27% graneleiros, 18% porta-contêineres e 2% navios de GNL. Em termos de direção, 53% seguiam para leste, saindo do Golfo, com destinos principais na China (21%), Índia (20%) e demais países da Ásia-Pacífico (29%), enquanto 47% entravam no Golfo pelo sentido oeste, com 21% originários da Índia e 19% da China. A PGSA informou ainda que 79% dos navios que coordenaram com a autoridade também contrataram seguro junto a ela, e que o tempo médio de emissão de permissões foi de 50 horas.


Os dados, no entanto, precisam ser vistos à luz do colapso ocorrido desde o fim de semana de 11 e 12 de julho, quando o Irã declarou novamente o fechamento do estreito e Trump anunciou a reimposição do bloqueio naval. No centro da nova escalada está uma disputa fundamental de interpretação: o Irã entende que o memorando lhe conferiu controle total sobre quais navios podem usar o estreito e por qual rota, exigindo o uso do corredor norte ao longo da costa iraniana sob o argumento de que outras rotas ainda não foram desminadas. Os EUA rejeitam essa interpretação e promovem o corredor sul ao longo da costa omanense, afirmando que 380 milhões de barris de petróleo bruto e mais de 800 navios passaram por essa rota entre 18 de junho e 10 de julho — aproximadamente o mesmo período coberto pelos dados da PGSA.

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