Austrália cria grupo de trabalho para proteger suprimento de ureia em meio à crise em Ormuz

Cerca de 60% do fertilizante importado pelo país transita pelo estreito; governo alerta para alta de até 4% nos preços dos alimentos

Publicado em 13 de abril de 2026 às 16:29
Pedro

A Austrália estabeleceu um grupo de trabalho governamental, em conjunto com a indústria de fertilizantes, para salvaguardar o suprimento de ureia no país. A medida visa mitigar os riscos de desabastecimento gerados pelas disrupções logísticas ligadas à guerra no Irã, conforme anunciou a ministra da Agricultura, Julie Collins, neste domingo (12).


Em entrevista à Sky News Australia, a ministra destacou que cerca de 60% da ureia consumida pela Austrália passa rotineiramente pelo Estreito de Ormuz. A via marítima estratégica permanece com tráfego restrito, apesar do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã ter entrado em vigor no último dia 8 de abril.


Segundo Collins, o país conta com um volume suficiente do insumo em reservas terrestres e em cargas "na água" (em trânsito marítimo), o que garante o abastecimento imediato. O foco da força-tarefa, portanto, é trabalhar ao lado da indústria para assegurar a disponibilidade a longo prazo, protegendo a posição australiana como um dos maiores exportadores globais de trigo, carne bovina, lã e laticínios.


Como solução estrutural, o governo aposta no início da produção doméstica em meados de 2027, quando a fábrica da Perdaman Urea, orçada em 6,5 bilhões de dólares australianos (cerca de US$ 4,6 bilhões), deve começar a operar na região de Pilbara, na Austrália Ocidental.


Apesar das medidas de contenção no campo, os reflexos do conflito já devem chegar ao bolso do consumidor. Citando estimativas do Tesouro australiano, a ministra alertou que os preços nos supermercados podem registrar um aumento imediato de 3% a 4%, impulsionados pelo repasse dos custos mais elevados de combustíveis e fertilizantes em toda a cadeia produtiva e de distribuição.


⚠️ Essa análise é só um recorte.

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