A pedido da indústria, Itamaraty busca fornecedores de enxofre em diversos países
Dependência das importações e disparada dos preços elevam preocupações sobre o abastecimento do setor de fertilizantes
A crescente dificuldade de acesso ao enxofre no mercado internacional levou a indústria brasileira de fertilizantes a acionar o Ministério das Relações Exteriores (MRE) em busca de alternativas emergenciais de suprimento. Segundo reportagem publicada pelo Diário do Comércio, entidades do setor alertaram o governo sobre a necessidade de garantir volumes adicionais da matéria-prima nos próximos meses, diante do risco de interrupções na produção nacional de fertilizantes fosfatados.
De acordo com o setor, o Brasil precisa assegurar aproximadamente 250 mil toneladas adicionais de enxofre por mês para evitar gargalos na fabricação de ácido sulfúrico, principal insumo utilizado no processamento de fosfatos. O país depende quase integralmente das importações para atender sua demanda, tendo adquirido cerca de 2,3 milhões de toneladas de enxofre em 2025. A escassez já vem impactando algumas unidades industriais, que reduziram ou suspenderam operações devido à dificuldade de obtenção da matéria-prima.
O cenário é agravado pela forte valorização do enxofre no mercado global. Dados apresentados ao governo apontaram que os preços da matéria-prima acumularam alta de 823% entre janeiro de 2024 e abril de 2026. Entre os países apontados como potenciais fornecedores emergenciais estão Estados Unidos, Canadá, Cazaquistão, Turcomenistão, Alemanha, Colômbia, Espanha, França, Japão, Polônia, Turquia e Venezuela. A preocupação do setor está relacionada principalmente às restrições logísticas e comerciais decorrentes das tensões no Oriente Médio, região que concentra parcela relevante da oferta global de fertilizantes e matérias-primas.
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