Trump ameaça adiar cúpula com Xi Jinping caso a China não ajude a proteger o Estreito de Ormuz
Presidente dos EUA exige apoio naval de Pequim em meio à crise do petróleo, enquanto mídia estatal chinesa rejeita envolvimento no conflito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou adiar sua aguardada cúpula com o líder chinês Xi Jinping caso Pequim não colabore com os esforços militares para garantir a segurança e a reabertura do Estreito de Ormuz, em meio ao crescente estrangulamento da oferta global de petróleo provocado pela guerra entre EUA, Israel e Irã. Em entrevista ao Financial Times, Trump destacou a forte dependência chinesa em relação ao petróleo do Oriente Médio — rota por onde passa um quinto do suprimento mundial — e argumentou ser "apropriado" que os maiores beneficiários da hidrovia ajudem a protegê-la, cobrando o envio de embarcações navais do país asiático. Embora o Ministério das Relações Exteriores da China tenha evitado comentar diretamente a exigência militar e reiterado a importância da diplomacia entre os chefes de Estado, o jornal estatal Global Times rechaçou a proposta, classificando-a como uma tentativa de Washington de compartilhar os riscos de "uma guerra que começou e não consegue terminar". Especialistas apontam que Pequim tem poucos incentivos para intervir militarmente contra o Irã, um parceiro estratégico, especialmente porque possui vastos estoques de petróleo para amortecer o choque e alguns de seus navios ainda conseguem transitar. Além disso, a tática de pressão de Trump pode ter um efeito reverso: um eventual adiamento da reunião, inicialmente prevista para o final do mês, poderia até mesmo favorecer os chineses ao conceder mais tempo para o alinhamento das difíceis negociações comerciais e diplomáticas que ocorrem paralelamente em Paris.
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