Preços de grãos disparam nos EUA com guerra no Irã e impulsionam vendas em massa por produtores
Agricultores aproveitam rali em Chicago para escoar estoques retidos, fixar safra 2026 e amenizar crise no setor agrícola americano
A disparada nos preços dos grãos nos Estados Unidos, impulsionada pelo início do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, desencadeou uma forte onda de comercialização de milho, soja e trigo por parte de produtores americanos que mantinham suas safras armazenadas à espera de cotações melhores. Aproveitando o rali na Bolsa de Chicago (CBOT) — onde os futuros da soja superaram a marca de US$ 12 por bushel, atingindo o maior nível desde maio de 2024, enquanto o milho e o trigo registraram suas máximas desde maio de 2025 e junho de 2024, respectivamente —, os agricultores do Meio-Oeste aceleraram as vendas físicas para tradings como Archer-Daniels-Midland (ADM) e Bunge, além de usinas de etanol. O movimento altista também estimulou a assinatura de contratos antecipados para a safra de 2026, ainda não semeada, permitindo o travamento de margens de lucro para cobrir a alta nos custos de fertilizantes, defensivos e sementes. Embora o repique nas cotações traga um alívio financeiro imediato e reduza os custos diários de armazenagem, agentes do setor ressaltam que os ganhos não são suficientes para reverter integralmente a recessão na economia agrícola do país, que no ano anterior foi duramente penalizada pelo excesso de oferta e pelos impactos da guerra comercial do governo de Donald Trump com a China, cenário que levou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) a iniciar a distribuição de US$ 12 bilhões em ajuda aos produtores afetados.
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