Portos do Oriente Médio operam sob regime de contingência com disrupções seletivas e redirecionamento logístico
Estreito de Ormuz segue pressionando fluxos marítimos enquanto hubs estratégicos mantêm operações parciais ou sob restrições operacionais
Segundo levantamento realizado hoje (24), a situação atual dos portos no Oriente Médio reflete um ambiente operacional fragmentado, com o tráfego pelo Estreito de Ormuz severamente impactado e sujeito a mudanças abruptas. Apesar da reabertura parcial do espaço aéreo na maioria dos países do Golfo — ainda com número reduzido de voos —, persistem limitações para trocas de tripulação, mantendo restrições operacionais relevantes para o transporte marítimo.
Nos Emirados Árabes Unidos, o quadro é misto: Jebel Ali, Hamriyah, Sharjah, Ruwais, Abu Dhabi e Ras al Khaimah operam normalmente, com níveis de segurança entre ISPS 1 e 2, enquanto Fujairah apresenta operação parcial, com o terminal FOTT sem todos os berços disponíveis, suspensão de operações SPM da Vopak e retomada parcial no terminal da ADNOC. Ainda assim, operações de carga geral e contêineres seguem sem interrupções, e serviços de fundeio permanecem normais. Medidas extraordinárias foram implementadas para facilitar o desembaraço aduaneiro, permitindo o transporte rodoviário direto de cargas destinadas a Jebel Ali e Abu Dhabi via Fujairah e Khor Fakkan, aumentando a eficiência logística.
No Kuwait, o porto de Shuaiba teve suspensão temporária de operações, embora não haja confirmação de paralisação total no sistema portuário nacional. O espaço aéreo foi fechado temporariamente e os portos operam sob ISPS nível 2. Em contraste, Omã mantém plena normalidade operacional em Sohar, Salalah, Duqm, Muscat e terminais de GNL, embora com exigências adicionais de segurança — como restrições a cargas perigosas e obrigatoriedade de equipamentos de navegação devido a interferências de GPS —, além de elevação do nível ISPS para 3 em terminais estratégicos como Qalhat LNG e Mina al Fahal.
Na Arábia Saudita, não há alertas operacionais e os portos funcionam em plena capacidade, embora o país tenha suspendido voos para diversos destinos regionais. No Bahrein, as operações marítimas foram retomadas gradualmente, porém seguem limitadas pela escassez de práticos, enquanto operações da BAPCO permanecem suspensas e o espaço aéreo segue fechado, inviabilizando trocas de tripulação.
O Catar opera seus principais portos (Hamad, Doha e Ras Laffan), porém com atividade reduzida em relação ao pré-conflito. O porto de Al Ruwais está restrito a embarcações de pequeno porte, enquanto os terminais de Al Shaheen e Halul Island permanecem totalmente suspensos. Destaca-se ainda que a Ras Laffan Industrial City foi alvo de ataques em 18 de março, embora sem alteração formal no nível ISPS. A QatarEnergy interrompeu a produção de GNL e derivados, e o governo passou a recomendar o redirecionamento de cargas para portos alternativos em Omã (Sohar, Salalah e Duqm) e nos Emirados (Fujairah e Khor Fakkan), evidenciando um rearranjo logístico em curso. Procedimentos migratórios foram normalizados a partir de 24 de março, mas com atrasos, e o desembarque em terra permanece restrito a emergências médicas.
Fora do núcleo do Golfo, o Egito mantém total normalidade operacional, incluindo o Canal de Suez, consolidando-se como rota alternativa crítica. Jordânia (Aqaba), Paquistão, Chipre e Líbano também operam sem disrupções relevantes, embora com restrições parciais no espaço aéreo e limitações pontuais em voos. Em Israel, os portos de Haifa, Ashdod, Ashkelon e Eilat seguem plenamente operacionais, sem impactos nas escalas de navios, apesar de restrições aéreas.
No Iraque, os portos comerciais operam normalmente, mas os terminais petrolíferos — incluindo Basrah Oil Terminal e SPM Somo — suspenderam exportações, configurando uma disrupção relevante no fluxo energético. Serviços auxiliares seguem disponíveis, embora com atrasos na emissão de vistos para tripulações.
De forma consolidada, a situação atual dos portos no Oriente Médio evidencia um sistema ainda funcional, porém operando sob forte assimetria regional: enquanto parte da infraestrutura mantém normalidade, há restrições operacionais relevantes, paralisações específicas e crescente dependência de rotas alternativas. O resultado é um ambiente logístico mais complexo, com aumento de custos, necessidade de redirecionamento de fluxos e maior exposição a riscos operacionais no curto prazo.
Fonte: Lloyd List
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