Petrobras trava cotas extras de diesel a distribuidoras em meio a defasagem recorde de preços

Com litro R$ 2,74 abaixo da paridade de importação, estatal tenta frear estoques especulativos; mercado teme desabastecimento durante colheita agrícola

Publicado em 9 de março de 2026 às 23:10
Atualizado em 10 de março de 2026 às 09:36
Pedro

A Petrobras passou a recusar pedidos de volumes adicionais de diesel feitos por distribuidoras, limitando o fornecimento estritamente às cotas previstas em contrato. A medida restritiva ocorre enquanto os preços nas refinarias da estatal operam com uma defasagem expressiva em relação ao mercado externo: na abertura desta segunda-feira, o diesel da companhia estava R$ 2,74 por litro mais barato que a paridade de importação, segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O abismo de preços foi aprofundado pela recente escalada do conflito no Oriente Médio, que impulsionou o barril do Brent para a marca de US$ 98,96 (alta de 6,76%). Ao travar os volumes extras, a petroleira tenta impedir que o mercado forme estoques a preços artificialmente baixos para lucrar às custas de um inevitável reajuste futuro.


A estratégia da Petrobras, contudo, paralisou as negociações no mercado nacional e acendeu um alerta crítico sobre a segurança do abastecimento. Como o Brasil importa cerca de 25% de sua demanda de diesel, a defasagem dos preços internos tornou as operações de importação economicamente inviáveis. Segundo Sérgio Araujo, presidente da Abicom, as compras externas estão travadas, o que pode resultar em escassez de produto importado nos próximos 20 a 30 dias. A presidente da estatal, Magda Chambriard, tem reiterado a política de não repassar a volatilidade externa para o mercado interno. A empresa enfrenta agora o dilema de amargar prejuízos bilionários subsidiando importações para suprir o mercado ou aplicar um reajuste impopular em pleno ano de eleições gerais.


Os reflexos dessa distorção já impactam a ponta da cadeia, com foco de tensão no Rio Grande do Sul, onde a alta demanda para o escoamento da safra agravou o cenário. Relatos de restrição na oferta levaram a Agência Nacional do Petróleo (ANP) a investigar dificuldades na compra de diesel por produtores rurais. O impasse afeta fortemente os Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs), que atuam no mercado spot (sem contratos fixos): enquanto os agricultores querem pagar o preço balizado pela Petrobras, os revendedores cobram valores mais altos para mitigar o risco do custo de reposição futura. Distribuidoras afirmam que, diante da alta demanda, estão priorizando rigidamente o atendimento a clientes com contratos firmados em detrimento de pedidos avulsos e especulativos.


Fonte: Forbes

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