Miritituba volta a registrar filas superiores a 25 km e reacende alerta sobre gargalos no Arco Norte
Pico da safra de soja, chegada de fertilizantes para o milho safrinha e limitações na BR-163 expõem pressão estrutural no Pará.
Nos últimos dias, os terminais de grãos no porto fluvial de Miritituba, no Pará, voltaram a registrar filas quilométricas de caminhões, uma situação que expõe de forma clara os gargalos logísticos do escoamento da safra brasileira.
Segundo reportagens recentes e dados de tráfego compartilhados por entidades do setor, as filas de caminhões chegaram a ultrapassar os 25 km no acesso aos terminais nesta segunda-feira (23/fev), com picos de até 28 km registrados ao longo da semana.
O acúmulo crítico é explicado por uma combinação de fatores que saturam a infraestrutura regional neste período do ano:
- Pico da Safra de Soja (fev-mar): O volume massivo de grãos vindo do Centro-Oeste converge simultaneamente para os terminais de transbordo.
- Logística de Fertilizantes: Coincidindo com a saída da soja, o porto opera intensamente o desembarque de fertilizantes nitrogenados, essenciais para o milho safrinha e que precisam ser transportados rapidamente para as áreas produtoras, aumentando o fluxo de veículos pesados em ambos os sentidos das vias de acesso.
- Infraestrutura e Clima: As deficiências de pavimentação no trecho final da BR-163, somadas às fortes chuvas sazonais da região amazônica, reduzem a fluidez do tráfego e tornam as operações de carga e descarga mais lentas.
Essa pressão logística não é um evento isolado, mas sim uma crise sazonal crônica no corredor de exportação do Arco Norte. O cenário reforça a urgência de investimentos em infraestrutura para que a conexão entre a produção agrícola e o mercado global não continue refém da saturação das vias e do conflito de fluxo entre a exportação de grãos e a importação de insumos.
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