Iraque tenta contornar o Governo Regional do Curdistão (KRG) e reativar oleoduto em Kirkuk em meio à paralisação no sul

Com exportações retidas pela guerra, Bagdá busca reativar rota para a Turquia enquanto tensões com a autoridade semi-autônoma curda se agravam

Publicado em 16 de março de 2026 às 14:03
Pedro

O Iraque planeja iniciar o bombeamento de petróleo bruto de seus campos no norte de Kirkuk para o porto de Ceyhan, na Turquia, reativando um oleoduto inativo desde 2014 para escoar entre 200 mil e 250 mil barris por dia (bpd) de forma independente do Governo Regional do Curdistão (KRG) — a autoridade política semi-autônoma que administra a região curda e suas próprias reservas energéticas no norte do país. A medida emergencial anunciada pelo ministro do Petróleo, Hayyan Abdulghani, ocorre após a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã paralisar totalmente as exportações do sul do Iraque, que somavam 3,4 milhões de bpd, forçando Bagdá a fechar a produção de megacampos como West Qurna e Majnoon e reduzir a extração nacional para cerca de 1,5 a 1,6 milhão de bpd, volume voltado apenas ao abastecimento interno. A tentativa de reativar a rota norte agrava a histórica disputa de poder com o KRG: enquanto o governo federal acusa a capital curda, Erbil, de bloquear a retomada das exportações em seu duto particular com exigências políticas desconexas, as autoridades do Curdistão rejeitam a culpa, citando ataques de milícias à sua infraestrutura e acusando Bagdá de impor um "bloqueio econômico sufocante" ao restringir o acesso a dólares e fluxos comerciais. Embora o líder curdo Masoud Barzani tenha pedido diálogo, analistas apontam que, mesmo se as exportações federais via Ceyhan forem bem-sucedidas, o volume representará apenas uma pequena fração da capacidade normal do Iraque, mantendo as finanças do Estado sob extrema pressão enquanto o conflito regional perdurar.

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