Iraque negocia com Irã liberação de petroleiros no Estreito de Ormuz e busca rotas alternativas ao norte
Com cerca de 3 milhões de barris diários retidos pela guerra, Bagdá avalia escoamento por Turquia, Síria e Jordânia enquanto lida com impasse do KRG
O Iraque iniciou negociações diretas com o Irã para tentar liberar a passagem de seus petroleiros pelo Estreito de Ormuz, segundo o ministro do Petróleo, Hayyan Abdulghani, em uma tentativa urgente de restaurar suas exportações após a guerra paralisar a rota sul do país, responsável pelo escoamento de 3,4 milhões de barris por dia (bpd) a partir de Basra. Com a produção nacional despencando de uma cota de 4,27 milhões de bpd para cerca de 1,5 a 1,6 milhão de bpd — volume voltado quase exclusivamente ao mercado interno e geração de energia —, Bagdá corre contra o tempo para viabilizar rotas de contingência ao norte, incluindo o transporte rodoviário de petróleo para os portos de Banias (Síria) e Aqaba (Jordânia), além da reativação de um antigo oleoduto ligando os campos de Kirkuk a Ceyhan (Turquia), que poderia adicionar inicialmente até 250 mil bpd. No entanto, o plano de escoamento pelo norte esbarra no aprofundamento da crise com o Governo Regional do Curdistão (KRG), com trocas mútuas de acusações sobre bloqueios econômicos, exigências políticas desconexas e a paralisação da infraestrutura curda devido a ataques de milícias. Analistas alertam que, mesmo que o governo federal consiga reativar parcialmente essas operações logísticas alternativas, os volumes ficarão drasticamente abaixo da capacidade normal do país, sendo insuficientes para compensar o estrangulamento financeiro causado pela disrupção no Golfo Pérsico.
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